Mais de 80% dos brasileiros achamos que ganharemos pela sexta vez a Copa do Mundo neste ano de 2006. E, de fato, após as primeiras partidas dessa, que é a 18ª versão da Copa, convencemo-nos de que as nossas chances são reais.
Nossa primeira conquista foi em 1958, na Suécia, depois veio a do Chile em 62, de 70 no México, de 94 nos Estados Unidos e 2002 no Japão/Coréia.
São copas memoráveis, ninguém que tenha vivido esse período esquece-se dessas vitórias, mas algumas derrotas também são inesquecíveis, ou já não nos lembramos da maravilhosa seleção dirigida por aquele que gostava do futebol arte, Telê Santana, na Espanha, em 1982, ou da derrota de 86 na Argentina, de onde saímos como “campeão moral”. Também inolvidável foi a fragorosa derrota para a França, quando saímos com três no lombo.
Voltando às vitórias. Não teríamos ganhado tantos títulos se não conseguíssemos organizar grandes seleções, isso é verdade, mas, com todo o respeito, quero crer que essa nossa atual seleção tem algo de mágico, de lírico. É, de lírico, porque nossos representantes conseguem trocar a lua como fonte de inspiração pela bola, que é tratada como uma musa nos pés desses alegres artistas. Ninguém desse time a maltrata, na verdade interagem com ela com carinho e amor.
Alguma dúvida?
Bom, talvez Marcos no gol. Grande goleiro, sem dúvida, mas recupera-se de contusão, portanto ninguém haverá de torcer contra o Dida. Nas laterais? Confesso o meu receio de que Cafu e Roberto Carlos, especialmente o primeiro, possam levar uma bola pelas costas, mas quem teria coragem de substituir esses ícones? Ah! o Lúcio! Meu pai, que medo! Quase um brucutu, mas não me espantarei se fizer um gol.
Na frente o quadrado mágico talvez pudesse ser divino, desde que se substituísse Ronaldo e Adriano por Robinho e Nilmar. Seria um ataque mais leve, mas quem teria a coragem de substituir dois tanques de guerra? Ademais outras copas virão.
O técnico? Bom, confesso que nunca gostei da tática dos times dirigidos por Parreira, sempre na defensiva, na retranca. Mas, convenhamos, o homem mudou, e muito. Acho bonito quando vejo pessoas evoluírem, como no caso de nosso técnico. Estudou muito, aprendeu com o tempo, pensou sobre tudo o que fez no passado e evoluiu do ultrapassado ferrolho para uma tática ofensiva, abandonou o autoritarismo para deixar fluir a arte pelos pés dos talentos que temos.
Por fim, alegro-me com a alegria do povo, alegro-me com a participação mais efetiva dos intelectuais que abandonaram o preconceito em relação à nossa arte maior, alegro-me com a participação do presidente. Ah! bem que ele poderia ser palmeirense, mas ninguém é perfeito.
E se o hexa não vier? Ora, bolhas (ops) ora, bolas, quem não se entristecerá? Mas uma coisa é certa, se acontecer uma derrota ela não será amarga pois não será por falta de talentos e de torcida.
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