Rapidinhas eleitorais 03/10/06
André e Marisa foram os grandes vencedores dessas eleições. O povo os quis, dirigindo assim os nossos destinos, e nós, que temos uma posição muito mais à esquerda, saberemos respeitar a vontade soberana do povo. Penso que André e Marisa sejam muito mais conservadores que Delcídio e Egon, no entanto, os movimentos sociais estão bem melhor organizados que no passado, e não temo grandes retrocessos. Meu principal receio é que essa dupla, aliada a Geraldo Resende, privatize o Hospital Universitário de Dourados e emperre o funcionamento da UFGD e UEMS. Torço para que isso não ocorra.
Delcídio do Amaral tem muitas e boas razões para se queixar. Pelo que fez pelo Estado em seus quatro anos de mandato como senador, pela sua participação na CPMI dos Correios, e acima de tudo, pelo seu preparo, poderia ter recebido apoio muito mais consistente.
Egon teve uma votação expressiva em todo o estado. O vice-governador apoiado por Zeca, Delcídio e Tetila não conseguiu, no entanto, vencer em Dourados. Se vencesse, com certeza estaria credenciado para disputar a sucessão municipal.
João Grandão possivelmente foi o deputado que mais conseguiu recursos para Dourados ao longo de toda a história do município, no entanto, o povo não o perdoou pelo seu envolvimento no esquema de compra de ambulâncias. A população diversas vezes releva coisas muito piores, haja vista a eleição de Maluf e Clodovil, mas a sua vontade soberana deve ser respeitada.
Tenente Pedro, sendo o único candidato do PT em Dourados, poderia ter recebido uma votação muito mais expressiva caso tivesse recebido o apoio incondicional do partido em nossa cidade. Cada vereador, cada tendência foi para um lado diferente. A direita regozija-se com as dificuldades de unificação do partido para as eleições municipais.
Marçal Filho não esperava, ninguém esperava, mas ele não se elegeu. Se tivesse sido eleito com votação expressiva, poderia ser forte concorrente às eleições municipais. Talvez por isso é que não conseguiu, encontrou enorme pedra no caminho.
Sidlei Alves também não se elegeu, mas foi uma grande surpresa. A sua expressiva votação deve-se ao seu incansável trabalho, no entanto, também não podemos ignorar o apoio massivo que recebeu especialmente de Murilo.
Murilo tornou-se o quarto vice-governador a representar Dourados na capital. Seguiu o caminho de George Takimoto, Braz Mello e Egon. Todos eles tinham um olho na vice e outro em vôos mais elevados. Claro que Murilo olha na direção da Prefeitura. Resta saber se não ficarão feridas sem cicatrização em Marçal, pelo apoio dado por Murilo a Sidlei Alves.
Geraldo Resende foi vitorioso. Alcançou uma vitória significativa elegendo-se deputado federal, no entanto a sua votação em Dourados foi inexpressiva em relação ao total de votos que obteve: 16 mil em Dourados num total de mais de 70 mil. Almeja a prefeitura. Resta saber como ficam Marçal, Murilo, Bela Barros, além evidentemente, de quem o PT escolher para a sucessão de Tetila.
Bela esperava ser eleita. Aliás, todos os candidatos pretendiam, no entanto, ela pouco cresceu em Dourados em relação à eleição passada. Naquela oportunidade, não chegou aos nove mil votos em nossa cidade, essa vez, passou apenas 20 votos dessa casa. Sempre almejou a prefeitura, agora será difícil vencer a resistência de seus próprios pares para voltar a concorrer.
Ari Artuzi disparou. Teve mais votos concorrendo à Assembléia que muitos candidatos que concorreram à Câmara Federal. Ultrapassou a casa dos 31 mil votos em Dourados. O eleitor douradense aprovou a sua presença física em enterros, casamentos, aniversários e festas populares. Se sobrecarregou alguém na Assembléia para fazer as Leis, não sei. A imprensa e a Justiça têm sido complacentes com a prática do clientelismo. Ari almeja a prefeitura, no entanto, não podemos afirmar que quem o sufragou como deputado terá o mesmo comportamento se ele concorrer para prefeito.
Eduardo Marcondes obteve uma votação muito baixa. Aquém das expectativas do mais pessimista de seus seguidores. Maracaju e Dourados deveriam ser os seus redutos principais, no entanto, o efeito Reinaldo Azambuja em Maracaju e, em Dourados, o tsunami Ari Artusi, prejudicaram o desempenho do vereador Eduardo. Deve concorrer novamente a uma vaga à Câmara Municipal.
Sérgio Nogueira, reitor do Instituto Teológico Batista e pastor da Igreja Batista, recebeu uma votação muito aquém do esperado. Vários candidatos de outras cidades foram mais prestigiados que ele.
Humberto, Zé Teixeira e Valdenir Machado também não foram bem votados em Dourados. Zé Teixeira conseguiu se eleger, mas com votos de outras localidades. Em nossa cidade não chegou a 6 mil votos. Humberto e Valdenir já tiveram dificuldades na eleição passada, quando ficaram como suplentes.
Leocádia Aglaé Petri Leme. A professora Leocádia, como é conhecida, seria uma excelente representante de Dourados junto à Câmara Federal, no entanto, a sua votação foi muito pequena. Faltou-lhe apoio financeiro, o que lhe impediu de ser ouvida, de levar a sua mensagem aos quatro cantos do estado. Muitos desconheciam a sua candidatura.
Outros candidatos: Muitos outros candidatos disputaram as eleições por Dourados. Não acompanhei a trajetória de cada um deles e falei por cima sobre os que mais me chamaram a atenção, mas, de qualquer forma, é importante competir, é bom levar uma mensagem, desde que acreditemos nela.