Wilson Valentim Biasotto
No dia imediatamente posterior às eleições de 5 de outubro, portanto no dia 6, meu site www.biasotto.com.br voltou à rede depois de três meses de ausência devido a determinação da Justiça Eleitoral, que não permitiu campanha pela Internet. Nesse dia, publiquei no referido site uma pequena matéria comprometendo-me a fazer uma análise das eleições de 2008 em Dourados, com o intuito de entender os resultados, e de modo especial, a nossa derrota, muito mais fragorosa do que o esperado.
Não foi o resultado esperado, já disse, ao contrário, foi surpreendente. As nossas pesquisas internas indicavam um crescimento constante e consistente de nossa candidatura, uma estagnação da candidatura Murilo e uma curva descendente e ininterrupta da candidatura Ari.
Murilo, em nossas pesquisas, subiu de 19 para 28% e estagnou por aí até 26 de setembro. Ari Artuzi tinha 78% no início do ano e foi caindo, caindo, ficando nessa data acima mencionada com 32%. A nossa candidatura começou com 1% em fevereiro, 4% em 30 de março, 10% por volta de 15 de abril, pulamos para 16, 20, 25, até que no dia 26 de setembro estávamos com 29%.
Pesquisas internas de um concorrente nosso mostravam aproximadamente esses mesmos números por volta de 23 de setembro: Murilo 28%, Biasotto 29%, Ari 30%.
Na nossa avaliação, tínhamos conseguido uma grande virada e esperávamos que a tendência verificada até então se confirmasse. Chegamos a comentar que seria a maior virada da história nas eleições municipais em Dourados.
No dia 2 de outubro, quando nos dirigimos para o debate promovido pela Globo/Morena, as nossas pesquisas colocavam Ari com 34%, Murilo 29,5% e Biasotto 27,5%. Mesmo verificando essa tendência de reviravolta, fomos confiantes para o debate.
Esses números acima explicam a nossa surpresa com o resultado das urnas. Daí o nosso interesse e o nosso compromisso supra-referido em fazermos uma análise do pleito. Análise, dizemos, no sentido de decompor o todo em suas partes.
Pretendemos a cada dois dias, até esgotarmos os pontos relevantes, publicar uma crônica analítica, disponibilizando-as em nosso site e para a imprensa local. Nessa primeira crônica em torno do assunto, permita-nos o leitor que façamos a ratificação daquilo que dissemos em entrevista logo após a conclusão da apuração e que representa, ao mesmo tempo, a) um ato de civilidade, b) de pleno respeito ao processo democrático e c) de (re)afirmação de nossas convicções.
a) Em relação à entrevista: agradecemos a todos os eleitores que depositaram em nosso nome o seu voto de confiança; à nossa equipe de profissionais contratados, desde o mais humilde cabo eleitoral até o mais graduado dos profissionais de marketing que pensaram a nossa campanha; aos militantes, que não foram poucos, que dedicaram o seu precioso tempo, passando de casa em casa, nos bairros, tentando convencer democraticamente as pessoas sobre a importância do nosso projeto; aos políticos que emprestaram o seu precioso apoio (destaque para os secretários municipais, prefeito Tetila, vereadores do PT e PSB, deputados estaduais do PT, Secretário do Meio Ambiente Egon Krakeke, Senador Delcídio, Ministros da Igualdade Racial e da Educação); aos partidos políticos que fizeram parte de nosso arco de aliança (PT, PSB, PSDC, PCdo B e PTN); aos coordenadores de nossa campanha (Natal, Ilton e João Grandão); aos candidatos e candidatas de nossa coligação que não mediram esforços para levar o nosso nome aos seus eleitores; aos nossos amigos e familiares que acompanharam pari passu toda movimentação de campanha. Por fim, mas não menos importante (last but not least, como diriam os ingleses), os nossos agradecimentos a todos os que mesmo no anonimato contribuíram para que obtivéssemos a votação que tivemos.
b) No que toca ao processo democrático: o professor Cláudio Freire, nosso candidato à vice-prefeito, enquanto nos dirigíamos para a entrevista logo após ser anunciado o novo prefeito eleito, disse-nos, não sem um leve e sutil toque de ironia: “se o povo esta feliz, fiquemos felizes também”. Felizes ou não, em uma democracia devemos respeitar o desejo da maioria e, nesse sentido, arrematamos: “seja feita a vontade do povo”. Nesse diapasão é que desejamos tanto ao prefeito como aos vereadores eleitos, uma feliz gestão, muito boa sorte e sabedoria para gerir a coisa pública.
c) Por fim, em relação à (re)afirmação de nossas convicções: Nós não disputamos a eleição por vaidade, mas com o objetivo de trabalhar em prol de nossos concidadãos, portanto, não temos do que nos arrepender. Perder uma eleição não significa o final do mundo, quer dizer apenas que o eleitorado entendeu que o nosso adversário oferecia melhores propostas que as nossas. Se o entendimento popular foi correto, somente o tempo, senhor da razão, como ensinavam os latinos, dirá.
O que concluímos em princípio é que o futuro prefeito está longe de ser uma unanimidade, mas por questão de espaço, essa e outras questões, conforme supra prometido, serão enfocadas em nossas próximas crônicas.
sua crítica será bem vinda: www.bisotto@biasotto.com.br