Cumprindo o nosso propósito de analisarmos (analisar no sentido de decompor o todo em suas partes) o pleito de 5 de outubro de 2008 em Dourados e tentarmos dessa forma explicar o sucesso de Ari Artuzi e a renovação impressionante de 75% dos vereadores de nossa Câmara Municipal, desejamos hoje posicionarmo-nos contrário à tese de nosso amigo, não obstante adversário político, o escritor Waldir Guerra.
Onde o PT atuou melhor é que abriu brechas. A tese de Waldir Guerra, publicada no dia 20/10/2008 no Jornal o Progresso, sob o título: “Hora de cuidar das coisas”, é que os pontos fracos do PT na administração municipal foram a Saúde e a Assistência Social. Segundo o autor, Ari Artuzi destacou-se nessas atividades e terá sucesso nessas duas áreas em sua administração.
O nosso desejo é que Waldir Guerra tenha razão no sentido de que Ari saia-se bem nesses campos, como ademais desejamos que seja bem sucedido em todos os demais setores da administração pública. No entanto queremos refutar que o PT douradense tenha os seus pontos fracos nas áreas de assistência social e saúde. Perdoe-nos o leitor se cito de memória os dados abaixo, mas vejamos: Em 2001 tínhamos apenas o Hospital Evangélico atendendo a nossa região, hoje temos o Hospital Universitário, o Hospital de Urgência e Trauma, o Hospital da Mulher, todos municipais e, é bom ressaltar, o Hospital Evangélico continua atendendo muitos casos. Ainda como base 2001, tínhamos uma média de quatro mil procedimentos diários, hoje temos cerca de doze mil. Tínhamos quinze PSFs (Programa de Saúde Familiar), hoje temos 37. Tínhamos uma farmácia municipal, hoje temos onze. Tínhamos menos que 90 médicos contratados, hoje são mais de trezentos médicos e mais de cem dentistas. Tínhamos cerca de 900 funcionários lotados na Secretaria de Saúde, hoje são mais que dois mil e quinhentos. Tínhamos duas ambulâncias, atualmente são dezoito, incluindo o SAMU. Melhoramos ou não?
No que diz respeito à Assistência Social, primeiro é bom dizer que antes da gestão petista havia um programa chamado pró-social, comandado pela primeira dama e que nós é que criamos a Secretaria de Assistência Social e de Economia Solidária. Essa Secretaria que conta hoje com mais de duzentos funcionários (especialmente psicólogos(as) e Assistentes Sociais), desenvolve um trabalho digno de reconhecimento nacional e mesmo internacional. Senão vejamos: onde estão os milhares de crianças que perambulavam pelas ruas de Dourados? Onde estão os mendigos de nossa cidade? Onde estão as pessoas vulneráveis ao desemprego, à fome, às enchentes, à violência?
Edificamos vários Centros de Referência em Assistência Social (CRAS), os Centros de Referência Especializados em Assistência Social (CREAS), administramos o PETI (programa de erradicação do trabalho infantil), o Sentinela (proteção às crianças e adolescentes vítimas de violência sexual), o Viva Mulher (proteção à mulher vítima de violência), promovemos a convivência entre os idosos e tantos outros programas. Além desses vale destacar ainda a instituição da partilha dos recursos públicos para as sociedades beneficentes, o programa “Coletivos para a qualificação para o trabalho” que qualificou mais de dez mil douradenses para o trabalho, dentre os quais cerca de mil e quinhentos no bem sucedido empreendimento de Economia Solidária que já conta com quatro lojas e até um banco social com o já famoso pirapirê, que é uma moeda social.
Teríamos outros argumentos, mas o espaço impõe-nos um resumo. No que tange à Saúde estávamos tornando públicos praticamente todos os procedimentos nesse setor e no que concerne à Assistência Social estabelecemos redes de proteção às famílias vulneráveis, dando inicialmente o peixe para logo em seguida ensinarmos a pescar.
Esses foram pontos extremamente fortes da administração petista em Dourados, embora tenham sido os menos compreendidos. Logo, a administração de Ari Artuzi somente será forte nesses dois setores se continuar o trabalho nesse rumo, a sua ação enquanto vereador e deputado foi justamente contrapor-se a esse processo com o seu assistencialismo (caronas de ambulância, lanches em velórios, empréstimo de vestidos de noiva e coisas do gênero).
Se Ari Artuzi acumulou capital eleitoral ao promover esse tipo de assistencialismo é porque ficaram brechas sem serem preenchidas pela administração municipal e porque o ministério público talvez não tenha considerado esses favores como compra de votos.
A verdade é que a administração Tetila fez tudo certinho em relação ao moderno conceito de Assistência Social, falhou por não conseguir aliar as ações administrativas a atos políticos que implicassem em um avanço na compreensão da sociedade de que a Assistência é dever do estado. Da mesma forma como a Saúde: a assistência à saúde também é dever do estado, mas como nem sempre os recursos são suficientes para atender a todos, o governo estabelece prioridades e, nesse caso, as brechas foram maiores. Nessas brechas, em nossa maneira de entender, deveria entrar o Ministério Público, não para ordenar simplesmente o atendimento, mas para avaliar se o governo está estabelecendo corretamente as prioridades. No entanto em nossa cidade o que surgiu foi a figura do assistencialista que de maneiras diversas e muitas vezes escusas consegue furar filas para consultas e cirurgias eletivas.
Em conclusão, não por esgotar o assunto, mas por exigüidade de espaço, desejamos reafirmar que o PT nem se afastou do povo e nem deixou de fazer um bom trabalho em termos de Saúde e Assistência Social, o que não conseguiu foi preencher todas as brechas. Dessas brechas se aproveitaram os nossos opositores, especialmente os assistencialistas.
Agora é esperar para ver como Artuzi resolverá o seu primeiro dilema, ou seja, como vai fechar as brechas deixadas pelo PT. Na qualidade de prefeito vai adotar políticas públicas como manda a Lei ou vai continuar com o seu assistencialismo e incorrer em improbidade administrativa?.
O nosso futuro prefeito com certeza terá dificuldades em solucionar esse conflito dramático, afinal, como diria Nietzsch, “o indivíduo não pode ser simultaneamente a melodia e seu acompanhamento”.
Próxima crônica: sexta-feira: sobre o financiamento das campanhas
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