A inauguração de novos edifícios para pelo menos seis das faculdades que integram a UFGD e mais uma piscina olímpica, que ocorre nessa sexta-feira, 27 de março de 2009, é motivo de júbilo para toda a população de Dourados e da região porque além de representar um investimento federal significativo de 17 milhões em nossa cidade, representa também a concretização, a materialização de uma nova fase do desenvolvimento técnico, científico, educacional e cultural desse pedaço de nosso Mato Grosso do Sul.
A história dessa jovem universidade começou a ser escrita no início dos anos 70. Dourados, àquela época, ansiava por uma faculdade de agronomia e para tanto Wlademiro Muller do Amaral doou a quadra onde hoje se encontra a reitoria da UFGD. Nesse local o governo do Estado realizou as edificações necessárias e passou para a UEMT (Universidade Estadual de Mato Grosso) a responsabilidade de abrir o curso. Em 1971 houve a inauguração, mas ao invés do sonhado curso de agronomia, começaram a funcionar os cursos de Letras e Estudos Sociais (que na verdade deveriam ser História e Geografia). Na placa alusiva à inauguração, até hoje existente, o observador atento poderá notar que há uma linha rasurada. Embaixo dessa rasura lia-se Faculdade de Agronomia.
Essa frustração dos anseios dos douradenses deveu-se à política da reitoria daquela época que somente tinha olhos para o campus de Campo Grande, o que, ademais, salvo honrosas exceções, foi a tônica ao longo da história de relacionamento entre a Reitoria (em Campo Grande) e o Campus de Dourados até a separação.
De qualquer forma estava implantado o ensino superior em Dourados com o funcionamento dos cursos de Letras e Estudos Sociais. O curso de Estudos Sociais (filho espúrio do regime militar), com o passar do tempo cedeu lugar aos cursos de História (1973) e Geografia (1983) que até hoje funcionam, inclusive com programas de mestrado. Da mesma forma, o curso de Letras, o mais antigo curso superior implantado em Dourados, segue prestando relevantes serviços à região, oferecendo também o programa de mestrado.
O campus de Dourados da então Universidade Estadual de Mato Grosso era denominado Centro Pedagógico de Dourados em vista de ter sido estabelecido para formar professores para a região. Esse objetivo foi muito bem realizado e até hoje o antigo CPD continua formando docentes. Mas, a partir de 1978, após a implantação do Curso de Agronomia – uma luta vigorosa da sociedade douradense, com o apoio muito forte do então prefeito José Elias Moreira - passou a chamar-se Centro Universitário de Dourados (CEUD).
Em 1996 houve uma mudança no Estatuto da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (antiga UEMT) para adequá-lo à nova Lei de Diretrizes e Bases da educação brasileira. Então o CEUD, oficialmente passou a ser Campus de Dourados da UFMS.
Finalmente em 2005 o sonho e a luta, inicialmente de alguns professores - no final dos anos de 1970 - e depois do conjunto das forças vivas de nossa cidade, acabaram encontrando-se com o projeto de expansão do ensino superior do governo Lula e foi criada a Universidade Federal da Grande Dourados – UFGD.
Portanto, nesse dia em que são inauguradas essas novas edificações temos muito a comemorar, a começar pela história de lutas - dos docentes, alunos, funcionários e sociedade douradense. Não menos importante é recuperar a história da implantação da UFGD por uma equipe jovem, vibrante e, principalmente, capaz, com a visão de que a Universidade deve sim formar profissionais nas diversas áreas do saber, mas deve também promover a pesquisa e a extensão pensando no desenvolvimento local, regional e nacional. Os alicerces dessa obra são sólidos e, certamente, definirão os rumos da instituição no futuro. A solidez do alicerce determina a qualidade da construção.
Particularmente, entendo que a história do desenvolvimento de Dourados pode ser contada a partir de três eixos básicos: a criação da Colônia Agrícola Nacional, a grande vaga migratória de finais de 1960 e início de 1970 e a criação da UFGD.
Os reflexos da implantação da Colônia Agrícola Nacional e da Expansão da fronteira agrícola dos anos 1970 são conhecidos. Em relação à UFGD já temos muito boas consequências, mas as melhores estão por vir: trata-se de um novo impulso – quiçá de um novo modelo - para o desenvolvimento de nossa cidade e região.
E, se a UFGD, UEMS, UNIGRAN e a ANHANUERA, cada qual com sua importante parcela de contribuição já comprovadamente prestada, mantiverem o discernimento que vêm demonstrando, trabalhando em parcerias e promovendo conjuntamente eventos que pensem o modelo de desenvolvimento de nossa cidade e região, com certeza, teremos um futuro promissor.
Suas críticas serão bem vindas: biasotto@biasotto.com.br