Notícias/Textos
Vídeos
Biografia
Galeria de Fotos
Trocar minha senha
Sair do Sistema
Textos
Seção
Crônicas
Livros
Hora
Data
Capa
sim
Ano
*preencher somente para cronicas
Foto
*apenas arquivos jpg
Legenda Foto
Titulo
Resumo do texto
Para ser franco, não sei de onde surgiu essa história de que é preciso dar cem dias de prazo para só então começar a fazer avaliações de gestões administrativas. A verdade é que pelo Brasil afora se consagrou esse princípio dos 100 dias...
Arquivo Anexo
Texto
Para ser franco, não sei de onde surgiu essa história de que é preciso dar cem dias de prazo para só então começar a fazer avaliações de gestões administrativas. A verdade é que pelo Brasil afora se consagrou esse princípio dos 100 dias, durante os quais a imprensa, de modo geral, oferece uma espécie de tolerância para a inexperiência administrativa dos novos gestores e a oposição confere-lhes uma espécie de trégua tácita.
Particularmente entendo que os eleitores, se conscientes, não precisariam nem aguardar a posse para saber os rumos que o gestor eleito deve dar à administração. Ou o eleitor vota, por acaso, sem saber em quem está votando e tem que esperar cem dias para ver o que acontece? Em quaisquer eleições nesse nosso mundo democrático não existe por acaso exposição dos candidatos à mídia em geral? Não existem programas de gestão? Não existem debates? Não existem possibilidades de se conhecer o candidato antes inclusive do próprio voto?
Em qualquer âmbito onde haja eleição, se não houver por parte dos eleitores o entendimento de qual será o rumo que o gestor dará à sua administração, só haveria uma explicação: os eleitores votariam sem consciência do que estariam fazendo.
O que pode mudar o norte de um gestor após a sua posse são as circunstâncias. Nesse caso, os analistas deveriam avaliar o comportamento do administrador em face dessas circunstâncias. Ou seja, os críticos compreenderão que não mudou o eleito, as circunstâncias novas é que o obrigaram a um procedimento diferente das expectativas. E, mesmo nesse caso, de mudanças de circunstâncias, o eleitor deveria saber se o candidato a qualquer cargo eletivo estaria preparado para suportar mudanças no cenário político-administrativo relativo à alçada de seu poder.
Vamos tomar um exemplo prático. Sou aficionado por futebol, um amador do esporte chamado de bretão, mas confesso-lhes que muitas vezes tive vergonha de declarar-me um torcedor em virtude das bandalheiras subjacentes a esse esporte. Você vê técnicos à beira do gramado gritando palavrões, muitas vezes captados pelos possantes microfones das emissoras de televisão e de rádio. Um técnico que ganha 500 mil por mês não deveria ser repreendido pelo presidente do clube para que usasse um palavreado mais escorreito, uma linguagem que não servisse como mau exemplo ao torcedor?
E que dizer quando vemos um dirigente, até mesmo às vezes o próprio presidente do clube brigando, brigando no tapa, com torcedores? E quando ficamos sabendo de falcatruas hercúleas envolvendo milhões de reais, muitas vezes saídos do bolso do operário humilde que foi ao campo torcer pelo seu time?
Ah! sim, o exemplo prático. Há 70 dias a Sociedade Esportiva Palmeiras deu posse ao seu novo presidente, o professor Belluzzo. Pois bem, será que todos nós torcedores brasileiros sendo palmeirenses, corinthianos, são-paulinos, santistas (só para citar os quatro classificados do campeonato paulista), não tínhamos noção de que uma nova era poderia ser vislumbrada para o futebol, em especial do Palmeiras, sob o comando dessa emblemática figura da vida pública de nosso país?
Observe o leitor-torcedor que as atitudes do presidente do Palmeiras já se fazem refletir nas atitudes do técnico palmeirense, que tem se mostrado mais calmo à beira do gramado e menos prepotente em relação à imprensa e aos jogadores e torcedores. Não deve passar despercebida também a relação que o presidente Belluzzo está mantendo com os presidentes de outras entidades, fazendo com que o torcedor, mesmo que inconscientemente, perceba que o futebol não é uma guerra, mas um esporte, e que a sua beleza está no lúdico e não na violência. Da mesma forma, a relação do presidente Belluzzo com a mídia oferece uma nova dimensão de relacionamento que, da mesma forma, influencia o torcedor a ter um comportamento verdadeiramente desportivo diante da vitória ou da derrota.
Precisa 100 dias? Tomemos outro exemplo: o presidente norte-americano Barak Obama. Não sabíamos porventura que os rumos que daria à sua gestão seriam completamente diferentes da orientação de Bush?
É isso? Ou seremos eternamente enganados por histriões que se fazem passar por políticos?
Nada contra as avaliações de cem dias, ao contrário, li recentemente uma delas feita por Valfrido Silva e espero ler outras. Mas volto a insistir: por que cem dias?
Suas críticas serão bem vindas: biasotto@biasotto.com.br
+ Adicionar Novo Texto
Sair sem Salvar
Salvar
©copyright MMConsultoria - todos direitos reservados - desenvolvido por
MMConsultoria.net