Matéria na Folha de São Paulo diz que Lula nega vitória pessoal sobre Obama. Tem razão o presidente, a vinda das Olimpíadas 2016 para o Brasil, não foi uma vitória pessoal e muito menos unicamente sobre o presidente norteamericano. Foi, na verdade, uma vitória coletiva, uma vitória brasileira, sobre todos os concorrentes. Foi sim, uma vitória do povo brasileiro, do Comitê Olímpico e sua organização, de nossos atletas mais famosos, mas com certeza a participação efetiva de Lula foi importante não somente por emprestar a sua imagem de “o cara”, mas também por agregar, articular com o mundo. Valeu a sua emoção e choro: “Deixai correr livres as lágrimas que choro...” diria Gonçalves Dias.
Semana passada fui visitar um amigo, aposentado como eu, e o que estava ele fazendo? Acredite: aprendendo japonês. Como Tóquio era uma das cidades concorrentes, após o anuncio oficial do Rio como sede das Olimpíadas, tive vontade de pedir ao meu amigo que desse uma olhadinha nos jornais de Tóquio para ter uma idéia da reação dos japoneses. Mas, pensando melhor, não quis incomodá-lo, hoje os sites de busca na Internet facilitam a nossa vida e posso saber até mesmo que o China Daily, embora demonstrando mais preocupação com um outro Rio - o desacordo comercial com a mineradora Rio Tinto - não deixa de mencionar que o samba venceu: “Samba! Rio vence”.
Jornais Ocidentais também ofereceram manchetes de primeira página ao Brasil. O Chicago Tribune fala em clima de desolação e o Chicago Sun em derrota pessoal de Obama. Ora, pensei, a própria população de Chicago estava dividida, com grupos organizados inclusive contra as Olimpíadas, colocando como prioridade a superação da crise econômica que assolou a terra de Tio Sam, porque haveria de ser derrota de Obama?
O New York Times apresentou as suas congratulações do Brasil e o The Wal Street Jounal destacou a estratégia de Lula pleiteando que as Olimpíadas fossem de todos os povos, todos os continentes, de toda a humanidade. Inteligente a estratégia, por que as Olimpíadas ficaram até então restritas ao norte do mundo, principalmente Europa e Estados Unidos?
Da Espanha, El Pais diz que “Rio tiene alma, corazón”. El Mundo coloca “Lula, figura clave”. E El Periódico afirma que “el comrpromisso de Lula vence a la prepotencia de Obama”.
Na França, o Le Monde, atribui caráter de verdadeira humilhação á derrota de Chicago e a primeira derrota de Obama. Por sua vez, Le Figaro realça a explosão de alegria dos cariocas em Copacabana.
Na Argentina, La Nacion diz que foi “un día inolvidable para la Cidade Maravilhosa” e La Razon consagra o óbvio: “Río de Janeiro será la primera ciudad sudamericana en organizar los Juegos Olímpicos”.
Como uma crônica não é para se fazer uma resenha de jornais, mas para dar a um fato certa dimensão opinativa, a verdade é que a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016 são fatores importantes para que o mundo lance um novo olhar para o Brasil, um olhar de respeito.
É hora de trabalho. O Rio e o Brasil inteiro recebem um incentivo a mais para atacarem de vez as causas que geram a miséria, a subnormalidade habitacional e a criminalidade. Brasil e toda a América do Sul ganham a possibilidade de criar centros de treinamentos para os seus atletas, alavancar o esporte, gerar atletas dentro de um programa global de desenvolvimento da cidadania.
Copa do Mundo, Olimpíadas, maior reserva cambial já obtida ao longo de nossa história, crise financeira superada com grande capacidade de gerenciamento, diplomacia atuando em benefício da ampliação de nosso comércio internacional, e na defesa da democracia na América Latina, mercado interno robusto, política de assistência social atingindo a maioria da população despossuída, instituições democráticas consolidadas. Eita vontade de cantar: “Esse é o nosso país, essa é a nossa bandeira, é por amor a essa Pátria-Brasil, que a gente segue em fileira”.
E o próximo passo, o próximo legado de Lula a seu sucessor, deverá ser a obtenção de uma vaga no Conselho de Segurança da ONU, pois um Brasil forte tem que ter representação vigorosa. Resta saber quem será o sucessor. Lula terá capacidade de transferir votos à pessoa que ele acredita que dará continuidade ao seu trabalho? Será que o povo brasileiro já está começando a pensar na sucessão presidencial?
Dourados e Mato Grosso do Sul devem colocar as barbas de molho,afinal gato escaldado tem medo até de água fria.
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