Segundo me consta, quando o ex-prefeito Brás Melo, em seu primeiro mandato, esteve na Alemanha, trouxe consigo a idéia de implantar um sistema de rotatórias em nossa cidade que regulassem o tráfego de veículos sem as inconveniências dos tradicionais semáforos. De lambuja, as rotatórias, ajardinadas, embelezam a paisagem urbana. Tão úteis e bonitas se revelaram as nossas rotatórias que foram adotadas por dezenas de cidades de nossa região.
Não sei exatamente quantos carros circulavam por Dourados à época em que foram implantadas as primeiras rotatórias, mas tenho a noção de que na Europa elas eram utilizadas para regular o trânsito em cidades que tivessem em torno de 60 mil moradores. Por uma cidade com 60 mil habitantes, mesmo que tenha algum atrativo turístico, não circulam muitos carros, portanto, nessas cidades, as rotatórias se prestam a regular o trânsito com maior eficiência que os semáforos, uma vez que estes se fecham automaticamente obrigando-nos a parar mesmo que não passe um único carro à nossa frente. Além do mais, nas horas em que o tráfego é menor em ambos os sentidos, principalmente à noite, os motoristas correm muito menor risco de serem abordados por assaltantes.
Em seu segundo mandato, Brás Melo agregou às rotatórias alguns elementos para servirem como pontos de referência, a exemplo do que já havia sido feito em relação ao Monumento ao Colono, projetado por Luís Carlos Ribeiro. Foram edificadas para serem referências as rotatórias com o Rosa dos Ventos, comemorativa dos 500 anos da Independência do Brasil, e a rotatória em homenagem à imigração japonesa, nas proximidades do Clube Nipônico.
Em seus dois mandatos consecutivos, Tetila também tinha uma preocupação grande em estabelecer pontos de referência na cidade. Geógrafos de profissão, Tetila e o Secretário de Planejamento, Mário César Tompes, entendiam, com razão, que uma cidade com um traçado como o de Dourados necessitava de referências que dessem, tanto aos moradores quanto aos visitantes, a possibilidade de se orientarem com mais precisão. Por essa razão, foram construídas novas rotatórias, edificada a estátua em homenagem ao ervateiro, colocados vasos ornamentais ou esculturas de animais de nossa fauna em vários pontos da cidade.
Não obstante essa preocupação, na administração Tetila foi removida uma das mais belas rotatórias de nossa cidade, aquela existente na confrontação das Avenidas Hayel Bom Faker e Weimar Torres. Oslon Carlos Estigarribia, que realizou um belo trabalho em sua pasta de Transporte e Trânsito, também geógrafo, logo conhecedor da dinâmica de uma cidade, então Superintendente, após minucioso estudo, realizado por técnicos altamente especializados, efetivou várias intervenções de modo que o tráfego continuou a fluir com normalidade, embora o número de veículos tivesse mais que sextuplicado nos últimos 16 anos.
Os técnicos em trânsito desejam, evidentemente, que o trânsito flua. Não estão interessados na beleza, no valor cultural ou mesmo referencial de uma rotatória. Fazem o óbvio, ou seja, quanto menos cruzamentos, quanto menos engarrafamentos, menor o número de acidentes.
Não deixam de ter razão. Suas mentalidades foram forjadas para benefício do carro. No entanto, em Londrina, os técnicos em trânsito foram mais sensíveis e, ao invés de destruírem uma bonita rotatória, adaptaram a ela semáforos, de modo que, se a referida rotatória perdeu a sua função de regular o tráfego, não perdeu, no entanto o seu valor histórico, cultural e paisagístico.
Agora se fala em destruir outras rotatórias em Dourados. Muitos aplaudirão a idéia, como aplaudiram a retirada das ciclofaixas e do ervateiro. Particularmente, entendo que as rotatórias deveriam ser preservadas, seguindo-se o exemplo de Londrina. Uma cidade tem que ter algo além de um tráfego que flua com rapidez, tem que ter alguma coisa de belo e, principalmente, a cidade contemporânea tem que ser inclusiva.
Critiquei quando foi refeita a pista de caminhada do Colégio Nossa Senhora do Calvário – o colégio das irmãs – sem que houvesse a colocação de guias para deficientes visuais. Alertei para que o projeto da Praça Antonio João não tivesse escadarias, de modo que a praça fosse inclusiva. Alertei para tantas coisas... Mas, o importante é não nos omitirmos, continuarmos contribuindo, oferecendo idéias e opiniões para que a nossa cidade não perca o seu encanto. E, no mais, torcermos para que as autoridades constituídas não se encabulem em aceitar sugestões para que o sonho da edificação de uma Cidade Educadora continue se transformando em realidade.
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