Propostas para a duplicação da Avenida Guaicurus não são tão antigas quanto aquelas do Anel Viário cuja luta por sua implantação durou duas longas décadas, mas já não são tão recentes, do que se conclui que nós douradenses temos sim visão do futuro, o que nos falta é força política para sermos atendidos em nossas aspirações e necessidades. O Anel Viário foi o carro chefe da campanha de Antonio Nogueira em 1992, mas mesmo não tendo se sagrado vencedor, o projeto entrou na pauta do prefeito eleito Humberto Teixeira (1993-1996) que, inclusive, revestiu com cascalho um trecho da obra.
A duplicação da Guaicurus, por sua vez, é reivindicação que remonta também aos anos de 1990, mais especificamente 1996. O governo Zeca atendeu-nos parcialmente, ao menos aliviou a trágica situação em que se encontrava aquela via, retirando o que restava de asfalto em meio aos buracos, recapeando e alargando-a de modo a torná-la transitável.
Com o crescimento da Cidade Universitária, luta ainda mais antiga que a do próprio Anel Viário, a reforma tornou-se superada e os usuários, especialmente universitários da UEMS e UFGD, desencadearam campanha no sentido de viabilizar a sua efetiva duplicação, o que resultou na promessa (feita em 09/04/2010) de serem atendidos pelo governador desde que a UFGD elaborasse o projeto da obra.
Como diz a sabedoria popular, “o peixe morre pela boca” e como estou convicto de que a UGGD fará o projeto, o governador terá que duplicar a Guaicurus. A verdade é que com André Pucinelli ou com Zeca do PT, o próximo governo terá que executar essa obra. E, assim sendo, segue a sugestão de que, no projeto, a UFGD preveja um espaço para a passagem do “trem universitário”, que seria implantado numa próxima etapa.
É isso mesmo! Um trem universitário, idéia que lancei quando vereador, porque naquela época falava-se em construção da ferrovia Norte-Sul e Dourados seria ligada a Itahum, para transportes em geral, o que viabilizaria a obra.
Loucura, dirão alguns, ao que replico que loucura foi considerada também a idéia da UFGD no inicio dos anos de 1980.
Se tivermos em conta o PAC 2 que prevê a ligação de Dourados a Santos (a ferrovia bioceânica), o Trem Universitário poderia ser concebido tendo como ponto de partida uma estação (e armazéns) nas proximidades do Parque de Exposição, seguiria margeando a Rodovia Dourados/Ponta Porã (BR 463) até o entroncamento que a liga à Cidade Universitária e Aeroporto (MS 162?) e daí seguiria para Itahum (MS 270).
Uma variável ainda mais interessante desse projeto seria fazer com que os trilhos, saídos das imediações do Parque de Exposições, passassem à margem da Rodovia Dourados/Ponta Porá (BR 463) até o entroncamento com a Avenida que a liga ao Hospital Universitário (BR 370), com estação de embarque no final da Avenida José Roberto Teixeira, e daí seguindo até a Guaicurus, de onde continuaria pelo seu canteiro central até a Cidade Universitária e depois seguiria margeando a Rodovia Dourados/ Itahum (BR 270).
Claro que no canteiro central da Guaicurus seriam necessárias duas muretas ao invés de uma (de modo que o trem passasse entre elas) e ao longo de todo o percurso alguns pequenos túneis e/ou viadutos nos mesmos locais onde haverão de ser construídos os trevos e retornos da própria rodovia para possibilitar o tráfego normal de veículos.
Não nos esqueçamos de que em espaço de tempo relativamente curto, cinquenta anos aproximadamente, esses trilhos estariam localizados no meio da cidade, servindo como metrô de superfície, isso porque a tendência de expansão de Dourados é para o Sul, uma vez que ao Norte temos a Reserva Indígena.
Quem abriu as grandes avenidas douradenses quando o tráfego era praticamente restrito às carroças e charretes pensou nas gerações futuras. Hoje, pensar em gerações futuras significa pensar em metrôs de superfície.
Mas, como não haverá de faltar quem pergunte por que não fizemos isso quando estávamos no poder, já adianto a resposta: fizemos a proposição e a encaminhamos. A resposta que tivemos àquela época foi de que o trem universitário somente poderia ser viável quando houvesse a ligação ferroviária entre Dourados e Itahum.
Realmente, um trem (ou metrô de superfície) somente para transportar alunos no presente talvez fosse inviável, mas se pensarmos na ligação Itahum/Dourados/Santos (bioceânica) essa possibilidade se torna até mesmo mais favorável em relação a ligação Maracaju/Itahum/Dourados/Paranaguá (ferrovia Norte-Sul).
Com a execução de um projeto dessa natureza realizaríamos o futuro no presente ao invés de realizarmos no presente o que já deveria ter sido feito no passado, como é o caso do Anel Viário.
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