9/06/2010
Quando Adelino Moreira compôs a letra de “A Volta do Boêmio”, música mais conhecida como Boemia, jamais poderia imaginar que alguém, numa tarde de outono, poderia fazer dela uma paródia denominada “A volta do ervateiro”.
Ora, ora, e porque não? Por mais feia que seja a letra, por mais que a música não se enquadre perfeitamente, é muito melhor alguém fazer uma brincadeira dessas do que ficar amputando estátuas com tão elevado significado cultural e simbólico para a nossa cidade.
Sorte a minha de a voz não me ajudar, senão iria, em noite de lua cheia, não por romantismo, mas para não me perder no matagal, dedilhar num violão e cantar como se fosse o ervateiro:
Oh! Dourados, aqui me tens de regresso
E suplicante de peço, não me maltrate mais não
Voltei, pra honrar o passado em que um dia
Trabalhei e chorei de agonia
Me acompanha o meu grande fardão
Oh! Dourados, sabendo que fui amputado
Sei que ainda pode haver
Quem me vá ironizar
Ele voltou, o ervateiro voltou novamente
Partiu daqui deprimido
Por que razão quer voltar?
Acontece, que a Justiça entrou em meu caminho
E o povo como muito carinho
Compreendeu, abraçou-me e me quis
Quis que eu
Saísse lá do barracão
E viesse aqui nesse chão
Para ver capivaras passear
Fui embora,
Mas me resta o consolo e a alegria
De saber que esse parque um dia
Ainda vai ser movimentado