Comunidade dos fuçadores de papel velho 13/08/2010
Incansável, o professor Paulo Roberto Cimó Queiroz, dedica larga parte de sua vida profissional na árdua e ainda pouco reconhecida tarefa de preservar a memória e a história de Dourados e da Região. Coordenador do Centro de Documentação Regional, da UFGD, o Dr. Paulo Cimó transformou órgão que tive a felicidade de criar em 1983, em referência nacional, graças não somente ao seu elevado saber nessa área, como também pela dedicação e extremada determinação em deixar para as gerações futuras fontes que possam explicar a nossa época.
Mas o trabalho do professor Paulo Cimó não se restringe ao Centro de Documentação Regional. Empenhado na luta para não permitir que se aprove no senado uma Lei que autoriza o Poder Judiciário a desfazer-se de processos com mais de cinco anos de julgado, o professor justifica que a falta de espaço físico para a guarda de processos no Judiciário não é mal pior que a perde de nossa memória judiciária. Dias atrás me pediu para entregar ao senador Delcídio um farto dossiê objetivando orientar o nosso senador a votar contrariamente a esse tão nocivo projeto.
Semana passada, em artigo publicado nesse espaço do Diário MS, o professor Cimo saiu em defesa do Arquivo Público Municipal. Nesse sentido, procurando fazer ressonância ao pleito do professor Cimó desejo dizer que quando cheguei a Dourados no ano de 1974, havia um arquivo público relativamente bem organizado. Meus alunos do curso de História levaram para conhecê-lo e eu confesso que fiquei animado com as perspectivas de termos nossa memória municipal preservada.
Ledo engano. Da mesma forma que o Museu, o Arquivo se desfez e o pouco do que restou encontra-se depositado no segundo piso da Estação Rodoviária. Durante a gestão Tetila, conseguimos recuperar o Museu e dar-lhe espaço próprio, o que, de certa forma, garante a sua continuidade. Já em relação ao Arquivo Público tomamos algumas providências:
Encaminhamos à Câmara Projeto de Lei criando o cargo de arquivista e assim que a Lei foi sancionada abrimos concurso público para preenchimento da vaga sem, no entanto, ter aparecido sequer um candidato à vaga. Iniciamos a reforma e adequação do segundo piso da Rodoviária para fazermos um Arquivo Público que fosse verdadeiro cartão de visitas de Dourados. Era constranger saber que a Associação dos Catadores de Papel tivessem tanto cuidado em montar uma biblioteca com a coleta de livros que aproveitavam e a Prefeitura da primeira cidade do interior do Estado não tivesse o seu próprio arquivo. Mas, expirado o mandato Tetila, a ruptura administrativa que se deu em Dourados interrompeu o Projeto.
Resta-nos agora clamarmos à Secretária de Administração da Prefeitura, a quem compete essa ação e apelar para o bom senso de sua gestora, a advogada Tatiana, para que retome o projeto do Arquivo Público Municipal.
Tenho a mais absoluta convicção de que ela poderá contar com a UFGD e de modo muito especial com o professor Dr. Paulo Roberto Cimó Queiroz, esse insigne membro da “comunidade dos fuçadores de papel velho”, como ele próprio, com muita simpatia, denomina os arquivistas e historiadores que trabalham nessa área.