Perdi o voto, mas ganhei a oportunidade de tentar fechar uma ferida ainda mal cicatrizada, esclarecendo sobre uma questão que levantei no debate da TV Morena em 2 de outubro de 2008, quando disputei com Murilo e Artuzi a prefeitura de Dourados. Claro que águas passadas não movem monjolo e, portanto, esse esclarecimento não me trará os votos que necessitava para me eleger prefeito e poder contribuir com essa cidade que tanto amo, mas, ao menos, me permite continuar defendendo as minhas ideias, esclarecendo-as melhor. Explico-me: essa crônica é em resposta a um e-mail recebido - dois anos depois das eleições municipais - de uma aluna (ou ex-aluna) da UNIGRAN dizendo, em resumo, que lê minhas crônicas, votou em mim para vereador, mas não me sufragou para prefeito. No referido e-mail, redigido com fineza vernácula e com sinceridade de ânimo a autora oferece os seus motivos: o “Sr desfez do curso de enfermagem na Unigran” e ao “fazer um comentário desse o Sr não estava afetando apenas o seu concorrente, mas sim centenas de pessoas que estavam à procura de concretizar um sonho”. Enfim, diz “Se o país desse oportunidade de vagas nas faculdades e universidades a todos que realmente querem estudar, não precisaríamos pagar uma faculdade privada”
Ora, ora, pensei, não deveria ter perdido esse voto, afinal o que fiz durante toda a minha vida foi defender o ensino público, gratuito e de qualidade enquanto muitos empresários da educação por esse Brasil à fora enriqueciam-se aproveitando-se de verbas subsidiadas e de isenção de impostos.
De qualquer forma, vamos ao esclarecimento, o voto está perdido mas a consideração pode voltar: quando ingressamos no mundo político somos sujeitos às críticas. Eu, particularmente tenho dito que as críticas são sempre bem vindas. E são, mas o que é a crítica? Há pessoas que acham que criticar é meter o pau, sentar a lenha, dizer impropérios. Refiro-me à crítica como o ato de apreciação de um trabalho de qualquer natureza. Nesse sentido a crítica pode redundar em conceitos negativos ou positivos em relação à obra em questão.
Aos fatos. Só havia duas propostas claras na disputa da prefeitura de Dourados em 2008 eram as do Murilo e a minha. Eu, ligado ao PT, era pela continuação do trabalho realizado por Tetila, voltado para o social e em defesa da coisa pública, Murilo, do DEM, obviamente defendia a iniciativa privada como panacéia para os nossos males. Coerentemente falava muito em competência. Por que coerentemente? Porque competência está muito mais ligada à capacidade de competir que propriamente com a capacidade de administrar. Daí essa coisa de empresário bem sucedido.
Ora, isso me dava nos nervos porque para mim o administrador público precisa ser capaz, a competição fica reservada ao mundo empresarial. Nesse clima, a pergunta que fiz ao Murilo no debate foi nesse sentido. “Se você é competente, porque a sua Universidade está atrás no ranking de avaliação do MEC?”
No dia seguinte - sabe-se lá como e por quem chegou à UNIGRAN uma informação completamente desvirtuada – logo pela manhã dezenas de alunos estavam à frente de minha casa, exigindo desculpas. Azar o meu não estar em casa, senão teria pedido que entrassem para discutirmos tim-tim por tim-tim a questão que coloquei e a concepção que tenho de Universidade.
De qualquer forma, pelo que fiquei sabendo os alunos estavam muito revoltados porque eu teria desfeito da UNIGRAN.
O que tenho a explicar é que sou favorável ao ensino público, o que não quer dizer que desrespeite as instituições particulares de ensino. Tanto é verdade que, quando secretário de governo, tive um relacionamento excelente tanto com as Universidades Públicas quanto com as Privadas. Anhanguera e UNIGRAN participaram junto com UEMS e UFGD de vários projetos do Comitê das Cidades Educadoras que eu coordenava em Dourados. E se tivesse tido a honra de ter sido eleito, as quatro universidades de nossa cidade seriam chamadas a me ajudarem na administração.
Por fim, uma de minhas filhas estudou na UNIGRAN, onde fez boas amizades e teve bons professores, aos quais sou grato, especialmente pela capacidade que demonstraram na compreensão das diferenças individuais de seus alunos.
Ao invés de incitar com mentiras os alunos para irem à frente de minha casa, teria sido muito mais republicano se os áulicos de Murilo (não acredito que ele mesmo exortou os seus alunos) tivessem aberto as portas da UNIGRAN para que pudéssemos debater as eleições e, em particular, o ensino universitário. Com isso as nossas propostas talvez ficassem ainda mais claras e teríamos, ou ele ou eu, sido eleitos evitando-se assim, com toda a certeza, a operação Uragano. Os poucos debates e a falta de espaços para fazermos campanha contribuiu para eleger Ari Artuzzi.