Bom exemplo: Terminada a eleição presidencial os cidadãos que acreditam e respeitam a democracia retiram de suas casas e de seus carros, os adesivos alusivos aos seus candidatos. Os vencedores para não tripudiar os adversários e vencidos em respeito ao resultado. Afinal, a partir de janeiro, a presidente governará para todos nós brasileiros.
Inconformismo: Após o segundo turno para a presidência, Serra foi proferir palestra sei lá em que entidade de Paris para desancar o governo Lula. Ganhou com isso uma sonora réplica daquilo que o rei da Espanha disse certa feita a Hugo Chaves: “¿por qué no te callas”. Moral da história: os derrotados devem cumprimentar os vencedores, agradecer pelos votos obtidos e aguardar novas eleições para então mostrarem os seus planos futuros e concorrerem novamente. Os vencedores devem estender as mãos aos concorrentes, pois durante a campanha eles são apenas adversários e não inimigos.
Campanha permanente: a campanha política não pode ser algo permanente, a continuidade da campanha após o pleito não contribui para com a democracia, ao contrário, alimenta o rancor. Pior, alimenta o golpe, a exemplo daquilo que ocorreu em 1964, uma dissensão que começou a ser produzida dez anos antes. Em 1964 era o suposto perigo comunista, e até hoje tem gente da minha idade, mistificada pela propaganda de direita, defendendo aquele golpe por acreditar que os russos iam invadir o Brasil. Imagine o que não faz a propaganda nazi-fascista?
Outro bom exemplo: O Partido dos Trabalhadores de Dourados, em relação aos dois últimos pleitos, deu bom exemplo – modéstia à parte – respeitou o desejo do povo em eleger Ari e agora Puccinelli. Agradeceu pelos votos obtidos e ao que tudo indica está pronto para ir às ruas novamente concorrer em eleição. Eleição indireta, ou qualquer outra forma que encontrarem para eleger o novo prefeito, é puro golpe.
Quatro irmãs: Embora aparentemente concorrentes as quatro irmãs grandonas da mídia nacional – globo, abril, folha e estadão – desencadearam acintosa e muito mal disfarçada campanha a favor de Serra. Ocorre que essas quatro irmãs, têm por esse Brasil afora, centenas de primas-irmã que não somente copiam mais amplificam o pensamento de direita.
E a culpa? Bem, depois essas empresas midiáticas ou mudam de lado vergonhosamente, como fez a Veja, editando número especial sobre a eleição de Dilma, ou então jogam a culpa nos políticos em geral. Ela, a mídia exime-se de qualquer responsabilidade, assim como exime também as entidades que estiveram lado a lado pactuando as mesmas idéias retrógradas.
Exemplos? Em Dourados precisamos ficar atentos não somente no comportamento dos políticos, temos que observar atentamente o que estão fazendo os nossos meios de comunicação e as forças vivas (entidades representativas) do município em benefício da democracia. O que fazem de concreto as nossas TVs, rádios, jornais, o Sindicato Rural, a Associação Médica, a OAB, a ACED, Sindicato dos Bancários, dos Professores, etc. etc?
Quase nada é pouco: A mídia e as entidades representativas deveriam radicalizar as possibilidades para o debate. Não adianta marcar reuniões separadas com os candidatos, pois não é incomum que certas diretorias emprenhem-se apenas pelo candidato de sua preferência e os demais comparecem apenas para falar às moscas.
Provincianismo: Algumas entidades, além de terem contribuído muito pouco para com a democracia desencadearam provinciana campanha para elegerem um senador por Dourados. Mentira pura! As entidades que defenderam essa proposta queriam eleger um representante delas, não do povo douradense. Prova é que nunca tiveram essa atitude quando não lhes interessava. Por exemplo, por que não fizeram a mesma campanha em favor de Egon ou de João Derli quando esses cidadãos foram candidatos por Dourados?
Conciliação: Agora começa nova ladainha, vem a turma do pacto por Dourados, pregando uma conciliação entre os partidos para a salvação de nossa cidade. Não é uma ótima idéia? Claro, quem não quer a conciliação é selvagem, quem não deseja um pacto em benefício de seu maior patrimônio, que é a sua cidade? Todos queremos, só que o pacto que a direita propõe, é novamente em benefício de quem?
Melhorar o nível: Ora, ora, essa coisa de voto de cabresto não cola mais, de compra de voto está cada vez mais fora de moda. Aborto, homossexualismo e comunismo, por outro lado são temas que não incomodam mais os eleitores. Que os partidos tenham propostas e não mentiras.
Mais uma coisa: O fato de parte da Igreja Católica e várias designações Evangélicas terem se metido diretamente na escolha do candidato está completamente fora de prumo. Admito que as Igrejas tenham posição, que façam as suas campanhas, mas a maneira como foi feito é deplorável.
Jogando limpo: Se jogarmos limpo, respeitarmos as regras estabelecidas, respeitarmos os nossos adversários pelas idéias que defendem e não como se fossem nossos inimigos, então assim, haveremos de edificar a nossa cidade, estado e país, com os alicerces sólidos da cidadania.