É bom falar inicialmente que não é nossa intenção desmerecer a atuação do Exmo Sr. Prefeito Municipal, da Câmara Municipal de Dourados a todos os douradenses que direto ou indiretamente contribuíram para que funcionasse em nossa cidade a Faculdade de Agronomia. Muito menos pretendemos desmerecer o Exmo. Sr. Governador do Estado, José Garcia Neto, a nosso ver o sustentáculo dessa conquista.
Dado esse esclarecimento, para que não se confunda “alho com bugalho”, coisa muito freqüente em nossos dias, passamos diretamente ao assunto:
Arredondando os números, temos 600 candidatos inscritos para o vestibular da Faculdade de Agronomia. S e considerarmos que cada vestibulando possua uma família composta de 4 elementos, teremos nada mais nada menos que 2400 pessoas envolvidas no vestibular.
Sabemos, por outro lado, que apenas 32 ingressarão na nova Faculdade e que portanto apenas 128 pessoas (se considerarmos 4 por família) comemorarão o acontecimento. Diga-se de passagem que a alegria desses familiares será tão grande como será a euforia do matogrossense do sul se o Operário for Campeão.
E as outras 2272 pessoas, como ficarão? Consolando, provavelmente, o candidato derrotado, mas em seu âmago a dúvida terrível e cruel: falta de capacidade? Displicência?
Nossa opinião, que esperamos seja um consolo aos candidatos e aos familiares dos que não alcançaram bons resultados, é a seguinte: a geração que enfrenta vestibulares sobre as conseqüências do progresso experimentado por esse nosso Brasil, progresso esse que, sendo mais tecnológico que cultural, não pode satisfazer de imediato as aspirações dessa população jovem que constitui a maioria de nosso povo.
Chegará o dia, e esperamos estar vivos para vermos, em que o jovem estudante, saindo do II grau, ingressará na Faculdade de sua preferência sem ter inclusive que freqüentar “cursinhos”. Tudo é uma questão de tempo.
Wilson Valentim Biasotto
Jornal de Notícias – 01.03.78