Existem inúmeros problemas requerendo providências urgentes em toda parte do Brasil, não dúvida, da mesma forma como existem no mundo muitas crianças. Bem, mas assim como não há pais para muitos, em termos de problemas, às vezes ninguém quer ser o pai da criança.
Temos observado que em inúmeros casos ocorre um verdadeiro jogo de empurra. O cidadão tem um problemas qualquer e se encaminha a uma determinada secretaria, daí é encaminhado para outra, daí passa para a esfera estadual, e assim vai. Um encaminha para outro enquanto que o cidadão fica esperando desnorteado.
A título de exemplos vamos fazer com que desfilem algumas crianças sem pais: a quem cabe a culpa de Dourados estar às escuras, à Prefeitura ou à CEMAT? Quem deve construir uma Rodoviária? Quem deve educar nossas crianças, os próprios pais, o município ou o Estado, Quem deve coibir os abusos de nosso trânsito, o pedestre, o próprio motorista ou a Ciretran? E assim por diante...
O último exemplo desse jogo de empurra foi divulgado ontem por este jornal. Trata-se da contaminação de poços no Jardim Independência. Enquanto Sua Excelência diz que o problema não é da Secretaria de Saúde do Estado os moradores daquele bairro continuam indo buscar água em baldes para atenderem às necessidade domésticas. E a contaminação não ocorreu ontem, nem hoje, mas há meio ano.
É hora do povo merecer um pouco mais de respeito por parte das autoridades constituídas, porque prefeituras, estados e nações não constituem propriedade particulares mas sim instituições que tem por escopo selar pelo bem estar de toda população, oferecendo-lhe as condições imprescindíveis para uma existência sadia.
Por isto é que o povo mantem o Estado, pagando os impostos de direito, respeitando as leis; para que o Estado lhe propicie a segurança e o bem estar.
Uma coisa é certa, se existe uma criança existe um pai.
Wilson Valentim Biasotto
Jornal de Notícias – 08.06.78