Muito foi falado sobre a instalação da Faculdade de Agronomia em nossa cidade. Tamanha campanha foi desenvolvida que a referida Faculdade passou a ser “um ideal para o Estado” e, não só isso, uma conquista de toda população douradense.
Agora, após alguns meses de funcionamento do curso de agronomia verificamos, numa entrevista que, realmente, com os alunos daquela escola, que nem tudo é um mar de rosas, aliás, pelo contrário, ao que tudo indica sérios problemas envolvem a faculdade caçula de Dourados.
A taxa cobrada é elevada, atinge a casa dos Cr$ 1.000,00 (um mil cruzeiros). Os acadêmicos afirmam que tal mensalidade é uma das mais elevadas que se cobra no Brasil em escolas similares. Há que se considerar ademais que a Agronomia de Dourados pertence a uma Universidade Estadual e que, portanto, o ensino deveria ser gratuito para realmente ser democrático uma vez que assim haveria oportunidade para todos.
A falta de laboratório tem se constituído num outro sério problemas para o bom funcionamento do curso. Não se entende que cursos técnicos possam formar bons profissionais à base de aulas expositivas. As informações são de que os laboratórios saíram de Cuiabá há mais de uma semana. Os acadêmicos em tom pilhérico dizem que para não ter chegado ainda é provável que o laboratório tenha saído à pé.
Mas não param aí as “contas” de problemas que se constituem num verdadeiro rosário. O terreno da faculdade não foi sequer desapropriado; a constituição do próprio da Agronomia conseqüentemente não pode ser iniciado. Em restaurante para os universitários nem se cogita. O nível de ensino também é preocupação. Embora nesse aspecto é bom que se diga, a bem da verdade, que os acadêmicos estão satisfeitos com a maioria dos docentes que ministram aulas; a preocupação maior é que nenhum deles é especializado e isso poderia transformar-se num problema sério quando for chegada a época de se reconhecer o curso.
As mais graves declarações dos acadêmicos de agronomia podem ser resumidas nesta: “No fim, o que querem mesmo é levar a Faculdade para Campo Grande, mostrando através da revolta dos alunos a inviabilidade da instalação em Dourados.
Wilson Valentim Biasotto
Jornal de Notícias – 10.05.78