Quando o emérito professor José Pereira Lins chegou em Dourados com todo seu entusiasmo, próprio dos jovens idealistas, era muito difícil construir-se escolas. Tanto é verdade que o mestre Lins iniciou sua obra através da construção de uma humilde escolinha que foi crescendo junto com Dourados até atingir as proporções do que é atualmente o Colégio Osvaldo Cruz.
Da mesma forma que mestre Lins, muitos professores dão exemplo em numerosas cidades do país, de dedicação ao magistério, de verdadeiro amor à Educação. Muitos desse, hoje respeitados, chegaram a constituir um sólido patrimônio, é bem verdade, mas isto constitui-se numa mera contingência; o que satisfaz realmente estes homens é saberem que passam pela vida e realmente vivem, porque viver significa realizar ideais.
Hoje parece que as coisas estão bastante mudadas, tem havido um grande incentivo à proliferação de escolas particulares, especialmente as que ministram cursos superiores. Tais incentivos vão desde a permissão de cobrarem exorbitantes mensalidades mensais, à doação de terrenos e financiamentos para construção de prédios. Quer nos perecer que esta política governamental é adotada porque o Estado não tem condições de propiciar o ensino gratuito em todos os níveis e então, para atender a uma demanda cada vez mais significativo, permite a expansão do ensino através de instituições particulares.
Ocorre que na maioria das instituições particulares o nível do ensino é muito mais baixo que nas instituições oficiais, uma vez que muitos dos dirigentes atuais, ao contrario do antigo mestre-escola, são verdadeiros homens de negócios, muito mais preocupados com as rendas que com a Educação.
O que queríamos entender realmente é o seguinte: Como pode o governo ser importante para arcar com a responsabilidade de oferecer ensino gratuito se tem condições de financiar, ao menos indiretamente o ensino particular, e propiciar e crédito educativo.
Wilson Valentim Biasotto
Jornal de Notícias – 03/04.06.78
06.06.78