Depois de um longo período de férias escolares (quinze dias), reiniciaram-se segunda-feira, as aulas em toda a rede estadual de Ensino. Crianças e adolescentes voltaram alegres e satisfeitas para seu segundo lar. Uns desejosos em rever seus amiguinhos, outros para alimentar a ilusão de flertes inconseqüentes, outros sentindo até saudades de seus professores. Por certo muitos voltaram com sede de conhecimentos.
O prezado leitor deve conhecer aquela estória do aluno que para toda pergunta que lhe era formulada respondia “depende”, de qualquer forma vamos repeti-la: Determinado aluno a tudo que lhe era perguntado respondia invariavelmente “depende” disto ou daquilo. A professora, já por uma questão de birra, começou a formular para este aluno questões que davam margem apenas a uma resposta. Qual nada. Como útimo recurso tomou às mãos uma bandeira nacional e indicando a parte que ela havia ensinado como sendo a que representa nossas matas perguntou que cor era aquela. E o menino, mais uma vez respondeu: “depende” se a pessoa for daltônica é vermelha, senão é verde. A mestra expôs minuciosamente o caso à diretora que comprou a briga e portanto chamou o aluno para lhe perguntar quais eram os dez mandamentos da Lei de Deus. Mal terminara a pergunta, não teve tempo nem de por algum instante saborear o gosto da vitória, e o garoto foi respondendo “depende”, se for para os homens são dez, se for para as mulheres são nove.
Em que pese a ingenuidade da estória parece realmente que tudo neste mundo tem um “depende”.
Dizíamos no início que após um longo período de férias as crianças voltaram às aulas. Pois é. Se analisarmos apenas o lado da criança realmente as férias foram longas. Se analisarmos pelo lado dos pais, provavelmente também foram, pois afinal uma criança em casa durante mais quatro horas diárias sempre dá mais trabalho. Mas tudo depende, não é? Do lado do professor a coisa é bem outra. As férias foram na verdade muito curtas.
Um professor que dá 40 aulas semanais possue em média de 800 a 1.000 alunos. E, estejam certos os senhores pais que nem todas as crianças são tão boazinhas como os seus filhos. Aliás, seu próprio filho, prezado leitor, no momento em que está enturmado pode ser um pouco diferente daquilo que você costuma ver em sua casa. Por essa e por outras achamos curtas as férias de julho.
É, mas tem muita gente dizendo que isto de férias em julho para os professore é um grande favor.
Porém isso tudo não é nada diante da seguinte pergunta: Será que os Srs. Pais que querem ver seus filhos doutores, será que nossas forças vivas, que querem ver o progresso desta terra estão preocupados com nosso nível do ensino em nossa cidade?
Wilson Valentim Biasotto
Jornal de Notícias – 19.07.78