Mães existem de todos os tipos físicos, de todas as nacionalidades, em todas as classes sociais. Em quaisquer circunstâncias mãe é sempre mãe; sinônimo de amor, de carinho, dedicação e abnegação. Ser mãe é em qualquer hipótese, a sensação extrema de felicidade, ao menos por alguns instantes. O momento da concepção, apesar das dores pré-parto, quer nos parecer, assemelhar-se ao gozo, em um instante, da eterna e plena felicidade d esse estar no paraíso.
Mas, como todos os seres vivos estão predestinados também ao crescimento, reprodução e morte, o filho da mãe inicia sua jornada através da vida tropeçando sempre; uns caindo, às vezes, sem mais poderem levantar-se; erguendo-se outros atingirem os píncaros da glória. A cada passo do filho, a mãe reage de uma forma; sofre ou rejubila-se, mas sempre com parcialidade por que é mãe e, portanto, acima de qualquer coisa coloca o amor.
Pelos seus grandes méritos, às mães foi consagrado um dia especial, universalmente comemorado. Lamentavelmente a Sociedade de Consumo, com o passar do tempo, tem adulterado o significado desta data transformando-a numa simples entrega de presente. É triste termos que constatar que a intensidade do amor acaba sendo medida pelo valor do objeto ganho. Por esta razão é que pretendemos aqui prestar uma homenagem às mães que não recebem presentes.
A mãe andrajosa que perambula de calçada em calçada pedindo o pão para o sustento, desejamos ardentemente que o filho deixe de fingir desconhecer-lhe; à mãe do viciado fazemos votos que descubra o problema e interne seu filho para tratamento em clínica especializada; à mãe analfabeta desejamos que o filho, após formado, reconheça seus méritos; à mãe do prisioneiro desejamos que o filho, ao invés de castigos físicos, receba a formação que não teve condições de receber quando criança; à todas as mães, inclusive as que desconhecem que existe ao menos que exista realmente a justiça divina para premiar-lhes todos os sacrifícios.
Por fim, mais uma homenagem: às mães prostitutas, pela coragem que tiveram em deixar vir ao mundo uma nova vida, embora conscientes dos problemas todos que isto envolve, desejamos que seus filhos saibam ao menos entender porque desse desvio na vida de suas progenitoras. Wilson Valentim Biasotto
Jornal de Notícias – 13/14.05.78