Os prezados leitores por certo estão lembrados da verdadeira “novela” que se passou há pouco tempo em Dourados, denominada “Vergonhosa Escuridão”. Não custa recordar os capítulos mais interessantes. Os protagonistas eram o Executivo Municipal e a CEMAT; o enredo girava em torno de uma dívida que foi muito tempo castigada pela escuridão; a grande vítima da referida novela foi, sem dúvida, o povo que apesar de não ter nada a ver com o caso sofria as conseqüências. Para o final achou-se uma saída honrosa apesar do desgaste sofrido pelos protagonistas.
Agora, como é de conhecimento público, nova novela se iniciou e como toda novela se preza deverá obviamente ter uma desenrolar amoroso. Em um dos papeis principais figura novamente o Executivo Municipal e no outro entra em cena a SANEMAT. O tema desta é nauseabundo por enfocar o problema dessas desavenças entre o Executivo Municipal goto, de qualquer forma o nome da novela compensa o tema: “Odores estonteantes”.
Os capítulos iniciais demonstram que os protagonistas entraram em cena com bastante disposição, usando já de início um palavreado agressivo parecendo até que um quer atirar o outro no local que é terma da novela, ou seja, no esgoto.
Se esta novela estivesse sendo exibida pela TV Morena bastaria darmos um pulinho em qualquer outro Estado para sabermos alguns capítulos adiante, todavia, por se desenrolar em Dourados mesmo e por ser apresentada praticamente ao vivo, não podemos adiantar nada. Aliás, apenas um aspecto é possível detectar, aquele que pode ser considerado como o óbvio ululante: mais uma vez o grande prejudicado é o povo.
Quer nos parecer que o motor gerador e as Concessionárias Estatais é o problemas político. Não é segredo para ninguém que José Elias Moreira pertence a uma ala arenista contrária a do atual governador do Estado. Ninguém ignora também que este é um ano político e cada facção fará o máximo que puder para carrear o maior número de votos.
É lamentável que em fins do século XX ainda se confunda Estado com governantes, na medida em que são exercidas determinadas pressões que acabam influenciando a vontade soberana do povo de escolher seus representantes em detrimento da democracia.
Infelizmente o povo é lavado a acreditar que para sua cidade desenvolver-se é obrigado a votar única e exclusivamente em candidatos do governo, muitas vezes deixando de consagrar o homem que lhe é preferido.
Wilson Valentim Biasotto
Jornal de Notícias – 21.07.78