Afirmar que o nível de ensino em Dourados é bom, seria ignorar toda a problemática existente em termos de Educação; por outro lado, dizer que o nível de ensino é puro e simplesmente horrível, seria falta de conhecimento da realidade nacional. Atravessamos uma fase de transição praticamente em todos os setores da sociedade e em termos de educação esse fato é caracterizado pela implantação da malfadada Lei 5.692 que contribuiu, sem dúvida, para o rebaixamento do nível de ensino em todo o território brasileiro.
Para nós, interessa no momento o problema relativo à nossa cidade, que, apresenta certos endogenos influenciando direta ou indiretamente o bom andamento do ensino , como é o caso que analizaremos hoje, ou seja, o problema dos diretores.
Nossos diretores são nomeados através de interferência política e, assim sendo, com raras exceções, constituem-se em políticos ou ao menos com um certo vínculo com esse ou aquele grupo.
Em certas Escolas há diretores que se firmaram, não interessando se por méritos administrativos ou pela manutenção do poder pelo grupo que os mantem. Em outros estabelecimentos a mudança é constante. Em ambos os casos verificam-se distorções, no primeiro pela formação de grupos fechados, praticamente impermeáveis, que dificulta a circulação de professores e conseqüentemente levando a solidificação de ideais e objetivos; no segundo caso ocorre o inverso, com conseqüências ainda mais graves. Explicamos.
A formação das chamadas “panelinhas” nas escolas cujos diretores são praticamente estáveis, se de um lado ser prejudicial ao ensino, na medida em que os ideais e objetivos solidificados não correspondem às reais aspirações do educando, de outro permitem ao menos uma certa segurança ao professor que, fazendo parte do grupo não se vê ameaçado de dispensa.
No caso da grande rotatividade dos diretores não há cristalização de ideais ficando portanto a escola com objetivos vagos e mal definidos. Note-se ainda que nestes casos basta que o diretor não se simpatize muito com determinado professor para que este seja dispensado, o que cria um clima de grande insegurança, altamente prejudicial ao ensino.
Urge que se tomem medidas para que possamos ir resolvendo aos poucos nossos problemas ma no concerne ao ensino. Aguardemos.
Wilson Valentim Biasotto
Jornal de Notícias – 16.05.78