Educação – Professores fora de suas áreas
Dourados, um município com mais de cem mil habitantes, encontra-se ainda hoje com problemas elementares a respeito de educação e que deveriam ser resolvidos dentro da maior brevidade possível.
Abordaremos aqui um problema apenas, pelo menos neste artigo. Trata-se da lotação de professores nos diversos colégios de nossa cidade, que se constitue num verdadeiro absurdo. Vejamos:
A Delegacia Regional de Ensino, resolveu diminuir neste ano, uma aula por semana de Estudos Sociais nas quintas e sextas séries dos Colégios. Em substituição a essas aulas foram aumentadas aulas de práticas Industriais e Comerciais.
Não cabe aqui discutir sobre a validade destas práticas, cremos mesmo que não haveria inconvenientes seu aumento puro e simples. Ocorre que os professores que lecionarão estas disciplinas serão, nada mais nada menos os de Estudos Sociais que, tendo suas aulas diminuídas viram-se obrigados a aceitar as exig6encias, lecionando disciplinas que nuca viram e que não t6em sequer idéia de como deverão conduzir.
Os professores evidentemente, conscientes de suas limitações, encontram-se em situação difícil, pois não possuem, conhecimentos suficientes para desenvolverem à contento, programas que nuca tiveram oportunidade de lecionar; todavia, são obrigados a aceitar esta imposição pois qualquer diminuição na sua carga-horária acarretaria sérios prejuízos ao seu minguado orçamento familiar.
Quem são os maiores prejudicados? Os alunos, evidentemente, que acabam não aprendendo Estudos Sociais e muito pouco sobre as ditas práticas. Como entretanto, o aluno de I Grau não tem consciência do mal que se lhes causa, fica funcionando como se estivesse na mais perfeita ordem.
É necessário que os senhores pais tomem conhecimento dessas ocorrências. É necessário que alguma voz se erga no sentido de corrigir estas anomalias no ensino, para que Dourados cresça não só horizontalmente (no sentido de crescimento físico), mas o que é mais importante verticalmente (no sentido cultural).
Wilson Valentim Biasotto
Jornal de Notícias – 02.03.78