Educação: A submissão do professor
Fazer com que uma escola se transforme em Escola Econômica, que funcione “sem problemas, é possivelmente, a maior preocupação dos administradores escolares atuais. Lamentavelmente o que se tem verificado em Dourados, tanto no que tange ao ensino médio como no que concerne ao ensino universitário, é a tendência de tornar o corpo docente submisso para que dessa forma a escola funcione “sem problemas”.
Uma escola “sem problemas” em nosso entender não pode jamais ser uma séria porque a escola séria é aquela que resiste ao diálogo e às críticas. Além do mais, conceber uma escola “sem problemas” significa dar aos professores um diploma de apatia.Ora, se o corpo docente de uma escola for apático com relação aos problemas desta escola ele o será também com relação aos alunos e ao próprio ensino.
Bem diz John M. Lembo em seu livro “por que falham os professores”: Muitos administradores “podem pedir opiniões, podem dizer que todos os membros da escola têm o direito de expressar seu ponto de vista. No momento da decisão, porém, não há divisão de poder ou responsabilidade ( . . . ) Para eles a democracia é uma ditadura benevolente”.
E o professor, esse sacerdote do magistério, confunde-se, atrapalha-se todo, não se sabe o que fazer. Não bastasse enfrentar toda a burocracia existente, não bastasse a sua submissão ao diretor e ao supervisor; não bastasse sua abnegação em salsa de aula, ele, pobre mestre, vai aos poucos transformando-se num escrevo, e o que é pior, num escravo de si próprio.
Escraviza-se o professor por razões diversas, mas especialmente pela submissão à regras traçadas por pessoas que ocupam cargos administrativos sem serem educadores, sem terem a mínima noção de que seja educação. Escraviza-se o professor pela contradição reinante em nossas escolas: ao mesmo tempo em que é tolhida a criatividade exige-se que aproveite ao máximo a criatividade dos alunos. Ao mesmo tempo em que lhe é tirada a liberdade exige-se que mantenha a classe dentro da mais ampla liberdade possível.
Torna-se o professor um escravo de si próprio no momento em que, consciente da sua instabilidade, torna-se submisso.
Wilson Valentim Biasotto
Jornal de Notícias – 03.03.78