Existe diferença entre contribuiu e foi a responsável
Recente editorial nosso que recebeu o título: “Diretores, um passo para melhorar o nível de ensino”, causou grande polêmica na cidade, especialmente nos meios educacionais, tendo sido inclusive motivo de críticas de ordem conceitual e algumas no nível pessoal. As de ordem conceitual responderemos com muito prazer e confessamos que chegaram a nos causar lisonja porque se nossos escritos causam discussões é sinal de que estamos abordando assuntos de real interesse; às de outra ordem preferimos esquecer, por uma questão de ética profissional.
Não dissemos que a Lei 5.692 é a única responsável pelo baixo nível do ensino nacional; afirmamos que “a malfadada Lei 5.692 CONTRIBUIU, sem dúvida, para o rebaixamento do nível do ensino” Dissemos ainda, com outras palavras, que essa Lei foi aprovada e vai aos poucos sendo implantada numa época de transformações em todos os setores da sociedade.
Assim dissemos, continuamos pensando. Para melhor esclarecer abordaremos hoje um aspecto que, acreditamos, seja suficiente para mostrar que a referida Lei foi infeliz (sentido que demos ao termo malfadada).
Ao dar margem à criação de cursos de “licenciatura curta”, o espírito da Lei não era outro senão o de licenciar, no mais curto espaço de tempo possível, um grande número de professores para atender às exigências de expansão do ensino, ao menos em termos quantitativos. Proliferaram a partir de então faculdades que ofereciam as ditas licenciaturas curtas e, paralelamente; surgiram os cursos vagos, existentes de fato mas não de direito. Em conseqüência temos em nossos colégios aos chamados professores, polivalentes, justamente numa época em que todos os ramos da atividade humana exigem mais a mais especialização.
Não é necessário possuirmos uma brilhante inteligência para conseguirmos deduzir que existem diferenças entre um professor que gasta quatro anos para licenciar-se e um que realiza a mesma coisa em apenas dois anos. Se, então, o nível de ensino decresceu, a culpa é do professor?
As licenciaturas curtas podem ser válidas em várias regiões do país, não mais em Dourados, que já atingiu um estágio de desenvolvimento suficientemente elevado para oferecer melhores condições de ensino e pesquisa.
Wilson Valentim Biasotto
Jornal de Notícias – 23.05.78