Grêmio estudantil, escolinha de líderes
A movimentação estudantil na sociedade douradenses tem sido nos últimos anos tão insignificante que chega mesmo a causar certa preocupação, ao menos às pessoas que entendem que serão estudantes de hoje dirigentes de amanhã.
Alguma participação existe, contudo estas poucas atividades das quais participam nossos jovens tem sido dirigidas, na sua grande maioria, por pessoas adultas. O aluno limita-se a prestar sua colaboração não sendo responsável pelo fracasso ou sucesso da promoção. Vejam como exemplos os jogos estudantis, o show de talentos, as quermesses realizadas pelos colégios e outras promoções análogas.
Paremos um instante... voltemos o pensamento ao nosso tempo de alunos. Ah! Que bons tempos! As brincadeiras que fazíamos para angariar fundos; as quermesses; os shows com artistas famosos; as excursões; os bailes de formaturas; as festinha de despedida que oferecíamos a nossos professores...
Como haviam dirigentes dinâmicos e honestos. Mas também aqueles que após eleitos cruzavam os braços e tinham como preocupação maior extorquir o minguado saldo existente. Mas a gente aprendia a distinguir os verdadeiros líderes e sepultar na tumba do esquecimento os desonestos e, dessa forma, sem consciência de nosso valoroso trabalho, ajudávamos a forjar os dirigentes do futuro.
Muitos dirigentes atuais saíram de vilas pobres aprendendo a comportar-se em uma sociedade mais refinada graças às promoções estudantis. Depois veio o 477 acabando com os Grêmios. Conseqüência: acabaram-se as festas, acabou-se a verdadeira escolinha de líderes e, o que é mais importante, acabou-se ou está se acabando a capacidade de discernimento.
Se hoje afirma-se que o povo brasileiro não tem competência para escolher seus representantes que será daqui a cindo ou dez anos?
Felizmente o 477 agoniza e poderemos ter novamente em pleno funcionamento os grêmios estudantis que bem orientados servirão não para manifestações terroristas ou subversivas mas sim para ajudar na construção de um Brasil ainda mais forte e poderoso.
Wilson Valentim Biasotto
Jornal de Notícias – 18.05.78