Impossível pacificar a ARENA
A última sessão ordinária da Câmara Municipal de Dourados transcorreu num clima de muita paz, como há muito não se via. Foi para muitos ouvintes da Rádio Clube uma grande decepção porque na realidade parece que o povo gosta mesmo é de barulho, de ataques e defesas, não importando se estes constituem-se em autênticos debates políticos ou em meras acusações de ordem estritamente pessoal. Para outros, mais preocupados com um trabalho sério e dinâmico do Legislativo em prol dos legítimos interesses da comunidade, marcou-se na última sessão o início de uma era de concórdia que só poderá redundar em benefícios a Dourados.
Não acreditamos, sinceramente, que possa haver pacificação em nenhum dos dois partidos existentes atualmente no Brasil. Nem MDB nem Arena reúnem condições para constituírem-se em partidos políticos realmente unidos em tornos de ideais e objetivos comuns, porque ambos congregam elementos oriundos de extintos partidos políticos que tinham de 1945 – época em a maioria deles foram criados – até 1964 – anos em que foram liquidados – solidificado uma verdadeira filosofia partidária.
No nível nacional abundam os exemplos de facções dentro da ARENA que se degladiam como se desconhecessem o significado da sigla que é Aliança Revogadora Nacional e não os antigos palcos de lutas dos gladiadores. Os dissidentes aumentam: Severo, Castro, Euler, Magalhães e tantos outros que, se unidos, formariam um partido de grande expressão.
Dourados não constitui uma exceção à regra.
Duas facções existem e isso não constitui segredo para ninguém; uma liderada pelo ex-prefeito, João da Câmara e outra liderada pelo atual, Dr. José Elias Moreira. Não é segredo também que estas duas alas constituem, na verdade, dois partidos distintos e que só coexistem por força das circunstâncias.
O que pode ter havido então pode ser considerado um acordo de cavalheiros, expectativa de melhores dias para Dourados e é isso que, no fundo, interessa porque o povo escolheu seus representantes para trabalharem em benefício de toda a comunidade.
Wilson Valentim Biasotto
Jornal de Notícias – 25.05.78