Magalhães e a História
Para nós que sempre nos preocupamos mais com a História que com a política, embora sabendo que a maior parte das páginas históricas escreve-se através da narração e análise dos feitos políticos, torna-se difícil a compreensão clara da campanha do então senador da República, Magalhães Pinto.
Por um lado é sabido que o futuro presidente da República será o General João Batista Figueiredo e nestas condições, conseqüentemente, a campanha de Magalhães Pinto é infrutífera. Por outro lado, todavia, sabe-se que Magalhães tem incomodado sobremaneira aquilo que seria um tranqüilo trabalho de aglutinação de forças em torno do nome do General Figueiredo.
Uma recente do senador Magalhães Pinto é a proposta de retirar sua candidatura à Presidência em troca da renovação pura e simples do Ato Institucional nº 5. Será que o Senador Mineiro, um dos designantes do Ato, pretende realmente a volta apo Estado de Direito, ou ingressar na História como todo bom mineiro, na qualidade de democracia?
Não nos compete aqui analisarmos tal questão porque ela já vem sendo há muito destrinçada por vários jornais no âmbito nacional. Por jornalistas especializados no assunto. Um pequeno ponto apenas queremos enfatizar. Trata-se dos meios da barganha.
Há muitos anos que vemos falar que as trocas no setor político são sempre realizadas dentro do minguado campo das realizações materiais, Agora, entretanto, vemos uma proposta diferente, que foge ao rotineiro: trata-se como já dissemos da troca de uma candidatura por um Ato. Dignificante se o Senador tiver realmente condições de concorrer com o General João Batista de Figueiredo, humilhante se Magalhães Pinto pretender pura e simplesmente dar um drible na História.
Agora vem a possível união com líderes do MDB para a pregação em nível nacional da campanha pela reabertura política.
E, várias nuvens formam-se em nossos céus. Esperamos que chova.
Wilson Valentim Biasotto
Jornal de Notícias – 17.05.78