Mendicância na feira-livre
A Feira-Livre de Dourados, pelas suas proporções, pelo seu movimento e pla sua tradição pode ser considerada um ponto turístico para nossa cidade. Para ela afluem todos os domingos centenas de pessoas objetivando prover o lar de alimentos, outras plantas dirigem-se ao local para um passeio matinal, para ver a movimentação, para saborear um churrasquinho. E, tendo uma visita em casa, todos procuram leva-la à Feira, mesmo que seja somente para conhecer, porque não é fácil atualmente ter-se a oportunidade de ver uma Feira como a nossa.
A força e prestigio que tem a Feira-Livre de Dourados fez-se sentir há pouco tempo, quando construiu-se um prédio, diga-se de passagem muito mal feito, para o funcionamento do Mercado Municipal. Enquanto a Feira resistiu firmemente o Mercado Municipal viu-se reduzido a quatro paredes vazias, embora pudesse oferecer melhores condições em termos de conforto, pudesse funcionar todos os dias regularidade e propiciasse melhores condições higiênicas.
Ultimamente muitos feirantes tem se queixado de uma situação que realmente nos parece, deva merecer maior atenção. Trata-se dos indígenas, em número cada vez maior, que tem ocorrido à Feira para fazerem também a sua. Alguns desses mendigos, para impressionarem mais os transeuntes e conseqüentemente conseguirem mais esmolas, expõe ao público sua desgraças, como feridas em carne-viva, defronte à bancas que vendem carne.
Atualmente nos parece não ser mais a época em que se dizia que quem tem nojo morre fedendo. Hodiernamente temos serviços de assistência social que muito bem poderiam fazer uma boa triagem para saber se os pedintes que freqüentam a feira, e mesmo os principais logradouros de nossa cidade, são realmente necessitados e o que é mais importante, se sofrem realmente de algum mal. Se sofrerem realmente, então que sejam encaminhados a casas de assistência ou se lhes forneça uma carta-atestado, senão que sejam encaminhadas às autoridade policiais por estarem ludibriando o povo.
De sua parte, o feirante, bem poderia cuidar um pouco mais da limpeza.
Wilson Valentim Biasotto
Jornal de Notícias – 16.06.78