Muito abacaxi para pouca televisão
Ainda este mês tem dado para assistir televisão. Lógico, estamos vivendo momentos decisivos da décima primeira Copa do Mundo e conseqüentemente estamos acompanhando vários jogos interessantes, inclusive e principalmente os do selecionado brasileiro. Nesta situação tanto faz o jogo ser ruim como bom que a culpa não cabe à emissora e sim aos times que disputam. De resto, que nos acuda o bom Deus proporcionando-nos programas outros, que não nos obrigue a ficarmos diante de um aparelho de televisão.
Comecemos pelos desenhos animadas: Tom & Jerry, a apologia do sadismo; desenhos de Barbera aproximando-se celeremente para os abismos da mediocridade. E nossas crianças acabam pensando que isto é o que há de melhor.
As novelas então, nem se fala, verdadeiros absurdos. E o pior é que em meio a tantas baboseiras sempre aparece alguma coisa interessante que prende a atenção do público telespectador para o próximo capítulo. Agora, a gente ouvir de alunas de curso colegial que novela é cultura, doe profundamente, mas muitas dizem.
Filme é outro abacaxi. Embora uma vez ou outra surja alguma exceção, a maioria compõe-se de séries enfadonha como a do Bereta, Homem Biônico, Mulher Biônica, etc. É preferível assistir os biônicos correndo; afinal vendo o Edson Arantes do Nascimento, pelo menos a gente se lembra das jogadas daquele que foi o maior craque que até hoje o mundo conheceu. O negócio é torcer para que nossos senadores biônicos não sejam tão ruins quanto os filmes que estamos acostumados (?) a assistir.
Praça da Alegria ultimamente está dando tristeza. Trapalhões e Planeta dos Homens desgastados demais, naturalmente porque a produção em larga escala de textos humorísticos dentro de um mesmo gênero leva à saturação.
O Jornal Nacional, filtrado demasiadamente por uma auto-censura acaba deixando muito a desejar em termos de informações.
Finalmente o interminável Fantástico que passou a apresentar como acontecimento extraordinário notícias, gols e pesquisas de opinião pública.
E a população, juntamente com isto tudo, vai engolindo dezenas de propagandas comerciais.
Isto tudo não é nada se considerarmos que a Rede Globo é a maior do país e que existe uma lei estabelecendo que numa hora de programação o máximo permitido em propagandas são quinze minutos.
Wilson Valentim Biasotto
Jornal de Notícias – 20.06.78