Quem andar pela periferia de nossa cidade haverá de notar que nem tudo que existe por estas plagas são flores. Ao contrário, muitos espinhos são encontrados.
Não pensem os prezados leitores que nos referimos ao subnutridos. Esse mal aflige grade parte da população, não só de Dourados, mas do mundo todo. Estamos falando de pessoas que passam necessidades das mais elementares, vivendo em completa promiscuidade, sem pão e sem agasalho.
O mundo hodierno, em que pese a larga experiência tecnológica que tem alcançado, ainda não encontrou solução para distribuir a renda de forma tal que não hajam desigualdades sociais. Essa importância dos Estados em resolver os problemas dessa mísera população marginalizada, tem sido em parte superada pela atividade de entidades beneficentes que ao menos minimizam a gravidade do problema.
Minimizam, dizemos, porque na realidade o problema atinge proporções maiores, insolúveis ao menos à curto e médio prazo. Ocorre que nem mesmo esse trabalho incógnito e assaz dignificante muitas vezes consegue suprir as necessidades da população carente. Felizmente sempre aparecem pessoas que tomam iniciativas, casuístas é verdade, mas que ajudam a remediar o mal.
O companheiro Ezio Moreira nos apresenta uma sugestão: a Noite de Vigília, que sem dúvida contribuiria sobremaneira para levar um pouco mais de conforto material a numerosas famílias.
A Noite de Vigília consiste na armação de três ou quatro ou ainda cinco barracas na Praça Antonio João, onde elementos de entidades assistenciais estariam de plantão permanente para receberem os mais variados donativos. Assim, deverá existir a barraca dos óculos usados, a dos agasalhos em geral, a dos mantimentos etc.
As barracas devem ser armadas em círculo, no centro do qual haverá as mais variadas apresentações para o público. Danças folclóricas, música sertaneja e popular, teatro, etc. Isso tudo gratuitamente, enquanto as assistentes entregam suas contribuições.
A distribuição dos produtos e gêneros arrecadados será feita pelas instituições que participaram da coleta ou pelas comunidades de jovens cristões de nossa cidade, após um levantamento da reais necessidade das famílias que residem na zona periférica de Dourados.
Espera-se que esta brilhante idéia não fique apenas na cabeça de seu idealizador mas sim que ganhe corpo, se estrutura e receba da imprensa falada e escrita a mais ampla cobertura.
Wilson Valentim Biasotto
Jornal de Notícias – 26.07.78