Na noite de 3ª feira realizou-se no salão ao lado da Igreja Nossa Senhora de Fátima, a “Noite Especial”, numa promoção dos jovens cristãos daquela comunidade. O programa incluía apresentação de dupla sertaneja, esquetes, “vestibular” bíblico, canções por jovens e, como ponto alto, a apresentação da peça teatral “Quadro Sinistro”, escrita e dirigida pelo dinâmico jovem de imprensa de nossa cidade, Ezio Moreira.
O pessoal do Teatro Universitário de Dourados, presente ao evento, procurou saber dos presentes a razão maior que os levava a comparecer naquela verdadeira festa jovem. A razão, por incrível que possa parecer a alguns, era o Teatro. Assim, cerca de quatrocentas pessoas superlotaram o recinto, numa prova inequívoca de que a população douradense prestigia teatro e que portanto as forças vivas precisam urgentemente começar a apoiar essa manifestação artístico-cultural, porque compete ao Poder Público, na ausência de iniciativa particular, prover a cidade para que o anseio de seu povo possa ser realizado. É hora inclusive de se começar a pensar seriamente numa “Casa da Cultura”.
Mas, voltando à “Noite Especial” devemos esclarecer que, segundo os apresentadores do espetáculo, a peça “Quadro Sinistro” não é uma obra acabada. A intenção dos jovens, foi fazer uma amostra para sentirem a reação do público e, como foi positivo, apresentar a peça dentro de dois meses. Por esta razão e acreditando que toda crítica construtiva deve ser bem vinda, tentaremos analisar alguns aspectos do espetáculo.
Em primeiro lugar devemos ressaltar a boa vontade de todos os jovens atores que, diga-se de passagem, tem tudo para levarem em frente esse trabalho iniciado e constituirem-se num autêntico grupo de teatro amador. Segundo, muito cuidado com teatro realista (esse que quando se briga bate-se de verdade etc.) porque este tipo de apresentação deve ser muito bem feito para não se correr o risco de se cair no ridículo. Por fim um outro aspecto importante: apesar da trilha sonora ter sido muito bem feita, seria preferível que se colocasse voz na boca dos próprios atores para que tanto eles como o público sentissem melhor o espetáculo.
Para um pessoal que começou há tão pouco está muito bom. Esperamos que esse entusiasmo inicial não acabe com o primeiro obstáculo.
Wilson Valentim Biasotto
Jornal de Notícias – 15.06.78