A cidade de Dourados experimentou este sensacional surto desenvolvimentista registrado nos últimos anos, graças indubitavelmente a prodigalidade de sua terra. A agricultura levou a cidade a um desenvolvimento comercial e está sendo este comércio o grande sustentáculo do mercado empregatício, absorvendo a maioria da mão de obra existente. Acontece que está havendo um saturamento do comércio. Nossos jovens já não encontram tanta facilidade em se empregarem e quando conseguem os salários são bastante reduzidos. É a lei de oferta e procura surtindo seus efeitos, havendo disponibilidade de mão de obra há a tendência natural de se pagar baixos salários.
A perdurar da forma como está brevemente nossos jovens, especialmente os do sexo masculino, começarão a evadir-se da idade à busca de centros maiores, que ofereçam melhores oportunidade de emprego e de estudos.
O fenômeno é antigo, ao menos em se tratando das cidades do interior paulista. Especialmente nas cidades menores, onde o desemprego é mais acentuado, a gente observa, num baile por exemplo, a existência de grande número de moças na casa dos vinte e cinco a trinta anos, reclamando da falta de moços maduros com quem possam flertar. A ausência de jovens maduros se explica através do êxodo que tiveram que empreender no momento em que as necessidades lhes obrigou a ganhar seus sustento.
Dourados, ao que tudo indica trilha o mesmo caminho. A evasão dos jovens tende a acentuar-se na medida em que a classe média for crescendo. Por incoerente que possa parecer à primeira vista, nossa cidade deixará de ser um centro receptor de migrantes para transformar-se num centro distribuidor de mão de obra. E, não podemos nos esquecer de que normalmente quem sai à busca de melhores condições de vida é porque possue certos requisitos que lhe colocam acima da média dos trabalhadores.
Embora tenhamos citado o exemplo das maduras, é óbvio que nossa preocupação maior não está em sermos Santo Antonio, o santo casamenteiro. Preocupamo-nos sim com o futuro de centenas de famílias que aqui contribuíram, se condições houvesse , para um maior desenvolvimento desta terra.
Estabilizada a produção agrícola, uma única solução se nos apresenta como razoável para que o ritmo do progresso douradense não sofra de continuidade. A industrialização, a partir de agora.
Wilson Valentim Biasotto
Jornal de Notícias – 12.08.78