A história de Joaquim José da Silva Xavier, O TIRADENTES, continua controvertida; estudada e discutida por milhares, ainda ignorada por muitos brasileiros que, dada a falta de memória histórica de nosso povo, conhecem muito pouco sobre o “Herói da independência”.
Sua história relaciona-se com a famosa Conjuração Mineira, fruto das idéias oriundas da França de 1789 que possui como ideal o lema maçônico de liberdade, igualdade e fraternidade. Da conjuração participaram homens de escol da sociedade brasileira oitocentista, como Álvares Maciel, Tomás Antonio Gonzaga, Alvarenga Peixoto, Cláudio Manuel da Costa. Entre eles encontrava-se um “pé rapado”, homem frustrado nas lides da mineração, dentista prático e então um simples alferes que, sendo brasileiro, não conseguia galgar degraus mais elevados na hierarquia do exército, então controlado por portugueses natos.
Tiradentes tornou-se herói nacional após o advento da República que necessitando de meios para firmar-se como novo regime, foi buscar nos movimentos independentes essa figura simples mas corajosa.
Seu mérito não está em sua cultura, mas na coragem de enfrentar seus adversários e de assumir consciente e publicamente seus ideais.
Seu valor consiste na integradade de seu caráter e na bravura de seu gesto em tomar para si a responsabilidade de um movimento que apesar de fracassado deixava uma idéia que se disseminaria rapidamente por todo território nacional. A idéia, em suma, é simples, deixar aos brasileiros o direto de gerirem seus próprios destinos.
Na Conjunção Mineira, entre outros, como todos sabem, houve um traidor chamado Joaquim Silvério dos Reis, que de certa forma retardou um movimento irreversível em cerca de 30 anos.
Em sua marcha o mundo depara-se diariamente com muitos Joaquins, uns José da Silva e outros Silvérios; nada todavia tem conseguido no transcurso das décadas barrar o inevitável e, da mesma forma, o Brasil continua na busca de sua realização como potência autêntica.
Wilson Valentim Biasotto
Jornal de Notícias, 21.04.78