Embora 15 (quinze) longos anos de ditadura pesem sobre os ombros de Vargas deve-se considerar que seus méritos são grandes. Em nível nacional poderíamos considerar que esta impressionante personalidade pública causou uma verdadeira incoerência histórica: um ditador amado pelo povo.
Na verdade Getúlio foi um líder carismático, um verdadeiro líder populista como Perón, outro caudilho contemporâneo e, mais tarde, Juscelino, Jânio e o próprio Jango, que soube compreender seu papel na história e transformar em uma realidade brasileira as aspirações da humanidade na época, como o voto feminino, os direitos trabalhistas e o desencadeamento do processo de industrialização.
Para todo o Mato Grosso do Sul e particularmente para a população da região de Dourados, Getulio Dornelles Vargas foi um grande presidente porque percebendo que este até então imenso vazio territorial poderia ser ocupado por povos outros que não o brasileiro; percebendo a incomensurável riqueza que o solo desta terra propiciaria, criou a Colônia Federal Agrícola e, o que é muito importante, incentivou a vinda de migrantes assegurando assim o Brasil o direito de “uti possidet”, ou seja, o direito de posse sobre a terra.
Em termos regionais poderíamos então considerar o Presidente Vargas como “pai do colono”, poderíamos cognominá-lo “o colonizador” porque foi com a criação da Colônia Federal que se iniciou realmente a nossa arrancada progressista.
Na última Sessão do legislativo municipal um dos mais lacônicos vereadores da atual legislatura solicitou que uma estátua de Vargas fosse erguida no local onde se localizará o anel rodoviário. Nada mais justo que essa reivindicação, especialmente por ter partido de Daniel Vieira Nóia, vereador que antes de ser um demagogo, é um verdadeiro “colono” e como tal soube sentir o desejo popular de homenagear o grande líder trabalhista.
Wilson Valentim Biasotto
Jornal de Notícias – 12.05.78