Antigamente a propaganda favorecia o trem. Todavia parece que o povo não achou tão bom viajar de trem como se apregoava. Agora chegou a vez do ônibus. Obvio que o governo não gasta tanto dinheiro em propaganda somente para favorecer os proprietários de linhas de ônibus. Por trás disso existe evidentemente outra razão, mais precisamente, a crise do petróleo. Procura o governo diminuir o consumo de combustível para evitar os pesados déficits ocasionados com a importação do produto.
O uso de tal expediente não se resume ao uso de coletivos de carreira, refere-se também aos coletivos circulares.
Em Dourados, muito embora se faça sentir a propaganda oficial, os ônibus circulares nem sempre correspondem às expectativas do povo.
As deficiências do transporte coletivo urbano de nossa cidade muitas vezes são ocasionadas pelas próprias condições físicas da cidade, outras por descuidos da própria administração da empresa concessionárias.
No primeiro caso deve-se considerar que Dourados, é, sem dúvida, uma cidade bastante espalhada, o que dificulta tanto as obras de infra-estrutura como o próprio funcionamento dos serviços de coletivos. Esse é um problema que somente o tempo poderá resolver.
Agora, com referência a displicência da direção da concessionária torna-se fácil a resolução de determinados aspectos. Enumeramos inicialmente os principais problemas: Existem dentre os motoristas alguns que fazem verdadeiras loucuras com os ônibus, colocando os usuários em verdadeiro pânico; normalmente os vidros dos circulares andam fechados, devido a chuva, frio ou ainda o pó e, embora seja proibido fumar nos coletivos, alguns motoristas e cobradores são os primeiro a puxar a fila dos fumantes, causando uma poluição ambiental sufocante: os atrasos são tão freqüentes que até parece não existir horário determinado; embora haja muito pó de nossa cidade não se justifica que em alguns dias em determinados ônibus haja tanta sujeira a ponto de não se poder sentar.
São problemas pequenos. São questões de fácil solução. Bastaria, a nosso ver, simplesmente que a concessionária contratasse dois ou três fiscais que circulassem durante todo o dia para inspecionarem o atendimento que vem sendo dado aos usuários. Afinal, se a Prefeitura deu a concessão a uma determinada empresa é necessário que esta sirva à contento os usuários. Com um atendimento melhor em termos de conforto e com maior responsabilidade para que não hajam atrasos, a população por certo passará a usar mais os coletivos contribuindo assim para economia de combustível, uma das metas do governo.
Wilson Valentim Biasotto
Jornal de Notícias – 22/23.07.78