Wilson Valentim Biasotto*
3.04.03 Douradosnews
Dia 3 de abril de 2003 foi um dia de relevante importância histórica para Dourados.. Dezenas de entidades de classe, grêmios e diretórios estudantis, intelectuais, políticos, sindicatos, enfim, os mais variados segmentos da sociedade douradense se fizeram representar num ato público pela paz mundial. Vestidas de branco, em sua grande maioria, as pessoas enfrentaram com o mais elevado espírito de cidadania um calor intenso para demonstrarem que não é possível no terceiro milênio termos qualquer tipo de guerra.
O mundo continua cruel, é verdade. No entanto, pela primeira vez na História da Humanidade, o povo, o cidadão comum, em todas as partes da Terra sai às ruas para se manifestar contrariamente aos atos de guerra e em favor da paz. O significado dessas manifestações que leva milhares, algumas vezes milhões de pessoas às ruas será louvado no futuro como um dos avanços mais significativos no processo civilizatório.
A barbarie, que persiste em vigorar em algumas partes do mundo, não será exclusividade de nossos tempos. No futuro seremos reconhecidos como cidadãos da paz.. Historiadores contarão em suas obras que pessoas comuns foram capazes de se sobreporem aos interesses materialistas do Império em nome de um mundo mais fraterno.
Pessoas comuns, dissemos. E, na verdade, nem a imprensa conseguiu identificar os idealizadores do movimento. Não é interessante?
Lá estavam as Universidades, os Colégios, as Entidades de Classe, Clubes de Serviços, Sindicatos, políticos, intelectuais, representantes da comunidade árabe, mas nem essas representações sabem ao certo como o movimento surgiu e aconteceu.
Alguns poderão dizer que houve reuniões preliminares, mas quem as convocou? Onde foram realizadas?
Não obstante, centenas de pessoas lá estiveram, em nome da paz, em nome da fraternidade, em nome da cidadania.
Talvez ainda tenhamos que realizar muitos atos públicos, talvez tenhamos que realizar muitas outras caminhadas tão lindas como a de 3 de abril em torno da praça Antonio João, em Dourados, em torno da Torre Eifel, na Praça de São Pedro, em Washington ou Bangladeshi, mas o mais importante é podermos acalentar a esperança de dias melhores, é termos a possibilidade real de acreditamos que um mundo melhor é possível.
Estamos todos, os que estivemos presentes na Praça Antonio João, de parabéns. Dourados está de parabéns. Todos os que sonham estão de parabéns. Que venha a paz universal.
*O autor é doutor em História Social pela
USP, professor aposentado da UFMS/Dourados
e vereador (PT), licenciado para exercer o cargo de Secretário de Governo da Adm. Municipal.