Wilson Valentim Biasotto*
(não foi enviado para a imprensa)
Logo após a apresentação da peça Dom Quixote, pela Academia Anna Pavlowa, em 26/11, ainda extasiado com o esplendor do espetáculo, escrevi um artigo elogiando todo o elenco comandado por Léa Magrini e especialmente elogiei a bailarina Michelle Saramago que quando entrava em cena me lembrava Ana Botafogo pela desenvoltura de sua performance e leveza de seus passos.
Ainda no mesmo artigo teci elogios rasgados ao conjunto do espetáculo e sobre os talentos que despontam naquela academia.
Não deixei inclusive de confessar que sentia uma certa ponta de orgulho pelo fato de Michelle Saramago estar em Dourados graças ao curso de Medicina, criado em minha gestão no CEUD e que, portanto, eu me sentia um pouco responsável pelo sucesso de Dom Quixote. Do fato de Michelle vir para ser médica e atuar como bailarina surgiu o título dessa crônica.
Não obstante o artigo ser elogioso, não o encaminhei para publicação por duas razões. A primeira é que esse negócio de ponta de orgulho não me fica bem e a segunda é porque sabia que em breve outra tradicional academia de balé douradense, a Maria Esther, faria também o seu festival e eu desejava vê-lo para não cometer eventuais injustiças.
Foi a minha sorte. Tive a oportunidade de assistir a outra encenação magnífica. Nas apresentações das duas academias mencionadas fui transportado aos poucos e suavemente para o mundo mágico da fantasia. Tanto o Dom Quixote encenado pela Academia Anna Pavlowa como o Corsário da Academia Maria Esther fizeram com que ao final, como que despertando de um sonho, eu me encontrasse de pé, aplaudindo entusiasticamente. E não que tivesse perdido o senso pois não era o único, todo o público presente se levantou para aplaudir. De pé, aplaudimos neste ano de 2003, da mesma forma que o fizemos em 2002 ao assistirmos os espetáculos dessas academias.
Entusiasmado e otimista concluo que poucas são as cidades do porte de Dourados cujas academias de balé produzem espetáculos do nível que apresentaram as nossas academias Anna Pavlowa e Maria Esther; poucas são também as cidades que produzem um Festival de Teatro Universitário, um Encontro de Corais e que têm poetas, cineastas, conjuntos musicais e conjuntos de dança de rua. Poucas também são as cidades do tamanho de Dourados onde se produz tantos trabalhos científicos e literários.
E que dizer do Centro de Tradições Nordestino com seu conjunto e danças? O Centro de Tradição Gaúcha, com suas danças típicas e folclóricas? A casa Paraguaia? As danças e músicas indígenas? E o Clube Nipônico, com as suas promoções culturais, mantendo vivas as tradições dos migrantes japoneses? E os nossos ateliês com suas fantásticas produções de variadas obras de arte? E os nossos artesãos?
Que os seus filhos Dourados, tanto os naturais como os adotivos, continuem lutando por ti, não obstante as inúmeras dificuldades encontradas, não obstante o pouco incentivo que recebem, não obstante as mazelas da vida. Mil vivas para você, minha cidade querida e para a sua Cidade Universitária que, com certeza nos trará muitos outros eventos culturais.
*O autor é doutor em História Social pela
USP, professor aposentado da UFMS/Dourados
e vereador (PT), licenciado para exercer o cargo de
Secretário de Governo da Adm. Municipal.