Wilson Valentim Biasotto*
fev/2002
Enquanto o transporte individual, a cada dia, oferece melhores condições, seja pelas possibilidades ergonômicas oferecidas ao usuário, seja pela segurança e beleza que os carros novos oferecem, o transporte coletivo não evolui no mesmo sentido.
Em Dourados, particularmente, enfrentamos problemas muito sérios em relação ao transporte coletivo.
As empresas concessionárias, em horários de grande movimento, em algumas linhas, poderiam fazer circular aqueles gigantescos carros com capacidade de transportar duzentos passageiros. Em linhas cujo fluxo é reduzido, poderiam adotar os microônibus. Numa cidade de clima quente, como Dourados, todos os veículos de transporte coletivo deveriam possuir ar condicionado. As poltronas deveriam ser mais confortáveis. Enfim, o povo merece ser tratado como cidadão.
Poderiam ainda, as empresas, usufruir melhor dos avanços tecnológicos, adotando cartões magnéticos que evitariam os transtornos do troco, permitiriam ao usuário fazer baldeação em qualquer ponto da cidade, sem alteração do preço e, por via de conseqüência, dispensar as estações de transbordo com todos os seus inconvenientes.
Finalmente, competiria ainda às empresas a instalação e manutenção ao longo de suas linhas, de "pontos" cobertos de modos a proteger o usuário do sol e da chuva.
Investindo dessa maneira e mantendo religiosa pontualidade, as empresas teriam um número muito maior de usuários. Inclusive, e com certeza,, centenas de trabalhadores que possuem os seus carros e que já encontram dificuldades em estacioná-los no centro da cidade, usariam de bom grado o transporte coletivo.
Quem sabe se não poderíamos até extinguir a zona azul se tivéssemos um menor número de veículos estacionados no centro da cidade?
No que diz respeito à Prefeitura, haveria a necessidade premente de asfaltar todas as ruas e avenidas por onde trafegam ônibus coletivos e conservá-las sem buracos para que a empresa concessionária não corresse o risco de arrebentar a sua frota sem tirar o merecido lucro por um trabalho bem feito.
Caberia ainda à Prefeitura a fiscalização rigorosa tanto das condições dos carros e "pontos" como do horário.
Aos usuários-cidadãos ficaria reservada a missão de ajudar na preservação desse patrimônio (o transporte coletivo) que embora não seja de sua propriedade é de seu uso.
Todas essas possibilidades apresentadas são perfeitamente viáveis. Nesse sentido a Prefeitura Municipal, por intermédio da Secretaria de Serviços Urbanos, está fazendo um estudo profundo para, em breve, apresentar à sociedade, um plano para o transporte coletivo.
Enquanto isso vai sendo programado, pasme o leitor, a Prefeitura mantém em circulação quarenta ônibus para o transporte escolar rural enquanto na cidade circulam apenas trinta ônibus para fazer o transporte coletivo da população.
*O autor é doutor em História Social pela
USP, professor da UFMS/Dourados
e vereador em Dourados pelo PT.