Wilson Valentim Biasotto *
Criar e implantar um curso de Medicina não é tarefa fácil. É necessário muito arrojo, dedicação e colaboração. Somando-se a essas dificuldades naturais, para trazer o curso de Medicina para Dourados, tivemos que superar uma série de outros obstáculos dentre os quais a oposição de pessoas ligadas à saúde e à educação em Dourados. Não foram poucos os "alertas" que recebemos de que o curso de Medicina seria uma loucura.
Esses nossos opositores, ao contrário de nos desistimular e enfraquecer, tiveram, eles também, um papel importante no processo de criação do curso de Medicina, basicamente porque, com suas críticas, fizeram com que nós nos esmerássemos em providenciar todos os detalhes para que o curso tivesse um belo futuro.
E foram tantos os detalhes que precisaríamos de muitas páginas para contá-los. Limite-nos por ora a explicar ao leitor como solucionamos a questão relacionada ao estágio dos acadêmicos do curso.
Tendo como anfitriã a reitora da Universidade Estadual, professora Leocádia Aglaé Petri Leme, em 26 janeiro de 1999, apresentamos ao governador Zeca do PT, o Projeto da Cidade Universitária de Dourados, que foi por ele abraçado publicamente diante das 72 entidades douradenses que apoiaram o Projeto. Nesse dia o Reitor da Universidade Federal Jorge João Chacha "bateu o martelo", como ele próprio disse em seu pronunciamento, para a criação do curso de Medicina em Dourados.
Entre 25 de janeiro e 27 de agosto de 99, quando a Comissão realizou novo encontro com o governador, desta feita em seu gabinete em Campo Grande, muito trabalho foi realizado. Inclusive para marcarmos essa audiência estivemos previamente com o governador, acompanhado pelo então deputado estadual Laerte Tetila e pelo médico Leidniz Guimarães, então presidente da Associação Médica da Grande Dourados. Nessa oportunidade o governador assumiu conosco o compromisso de destinar a Santa Casa para ser o futuro Hospital Universitário.
Mas, paralelamente a essas iniciativas, jamais nos esquecemos da SODOBEN - Sociedade Douradense de Beneficência - que foi a grande inspiradora da construção da Santa Casa e a entidade que merece todo o nosso respeito pelas iniciativas que tomou.
A Comissão executiva pró-implantação da Cidade Universitária procurou a SODOBEN e realizamos juntos dezenas de reuniões. Se nos déssemos ao trabalho de procurar em nossos arquivos, encontraríamos todos os registros dessas reuniões, datas, e os participantes. Perdoe-nos o leitor, mas fica para uma próxima oportunidade. Nesse moemento, desejamos apenas ressaltar que a nossa primeira reunião com a SODOBEN deu-se no escritório de seu presidente que àquela época era o advogado Laudelino Medeiros. Depois assumiu a presidencia o empresário Martinho da Recap, com o qual também tivemos vários encontros.
Dada a complexidade do problema, não faltaram ainda reuniões com os mantenedores da SODOBEN (Lojas Maçônicas, Rotarys Clube).
Tudo foi devidamente alinhavado para que a Santa Casa se transformasse em Hospital Universitário, para dar sustentação ao curso de Medicina da UFMS/Dourados e de Enfermagem da UEMS
Finalmente, na atual gestão da SODOBEN, mantivemos inúmeros contatos com o empresário Ricardo Demaman para solucionar como o Hospital seria gerido e somente demos entrada, na Câmara, ao Projeto que denomina aquela que seria a Santa Casa, de HOSPITAL UNIVERSITÁRIO DE DOURADOS, porque esse foi um desejo da SODOBEN que eu jamais poderia deixar de atender, sob pena de ser ingrato com os mentores de uma instituição que sempre nos apoiou em nosso projeto da Cidade Universitária de Dourados.
Cumpre ainda esclarecer dois pontos: Primeiro: a SODOBEN doou a área do Hospital para a Prefeitura de Dourados, portanto compete à Câmara Municipal atribuir-lhe o nome e não à Assembléia Legislativa. Segundo: nada impede que apresentemos emenda ao nosso próprio projeto, já aprovado pela Câmara, acrescentando ao Hospital Universitário de Dourados o nome de um médico benemérito. Mas somente faremos isso em comum acordo com a SODOBEN, pois lealdade aos nossos companheiros é a coisa que mais prezamos.
*O autor é doutor em História Social pela
USP, professor da UFMS/Dourados
e vereador em Dourados pelo PT.