Wilson Valentim Biasotto *
Lanço mão do novo dicionário Houaiss e, sem nenhum espanto, certifico-me de que a palavra terrorismo designa "modo de impor a vontade pelo uso sistemático do terror", emprego sistemático da violência para fins políticos" e que terrorista "diz-se de ou pessoa partidária do terrorismo ou que pratica atos de terrorismo". Ainda segundo Houaiss constato que o substantivo terrorista é usado a partir de 1836 para designar os excessos cometidos pelos realistas do sul da França no início do período da Restauração (1814 a 1830).
Em grande parte, o resultado dessa minha consulta, é a constatação do óbvio, daquilo que todos nós sabíamos. O terrorismo é a imposição do terror, por uma pessoa, um grupo ou mesmo por um estado, ou seja, é a realização de algo que amedronta, que causa horror e pavor, que espanta, faz tremer.
Nessas condições pode-se afirmar que um pai pode estabelecer um regime de terror em relação aos filhos, um grupo paramilitar em relação às forças organizadas, um governo em relação a um povo ou mesmo um estado em relação a outros países. Basta que uma pessoa, um grupo étnico minoritário ou toda uma população fique em constante estado de alerta, em clima permanente de tensão para que tenhamos a prática terrorista.
E essa relação de temor não precisa necessariamente se reverter em danos físicos, ela pode se revelar de diversas outras maneiras, inclusive, e principalmente, afetando psicologicamente os atingidos. Difícil estabelecer as relações de causa e efeito. Presumo que a única regra confiável que se poderia estabelecer sobre o assunto é que as reações podem ser as mais diversas e inusitadas.
Afetado pelo terror uns podem se submeter a mais torpe subserviência, outros podem responder com sabotagens. Uns podem encontrar soluções igualmente terroristas, outros, incapazes de qualquer ação prática podem alimentar o ódio, ódio individual ou coletivo que, transmitido para novas gerações pode resultar em estado constante de intranqüilidade internacional.
*O autor é doutor em História Social pela USP, professor da UFMS/Dourados e vereador pelo PT em Dourados