A história do curso de Medicina em Dourados não pode ser vista como um acontecimento ímpar, ela esta indissociavelmente ligada ao processo de criação da Cidade Universitária de Dourados. Processo polêmico, iniciado com a divisão do estado de Mato Grosso e que colocou a sociedade entre duas opções de escolha: a transformação do Câmpus de Dourados, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, em Universidade Federal da Grande Dourados, ou a criação de uma Universidade Estadual com sede em Dourados, como previsto na Constituição de Mato Grosso do Sul, de 1979.
Muitos foram os debates travados em torno dessa polêmica, só resolvida às vésperas das eleições estaduais de 94. O governo, Pedro Pedrosian, através do Reitor Celso Pierezan, propôs aos professores do CEUD que a UEMS fosse construída dentro do Câmpus da Federal, o que ensejou, de certa forma, a resolução da luta: os que desejam a implantação da Universidade Estadual viam seus sonhos realizados; aqueles que queriam ver o Câmpus da Federal transformado em Universidade Federal da Grande Dourados visualizaram com essa iniciativa o fortalecimento de seu projeto, por meio da união entre a recém-criada Universidade Estadual e o Câmpus de Dourados da Federal, constituindo-se assim a Universidade Federal da Grande Dourados.
Hoje, temos, convivendo harmoniosamente, num mesmo espaço físico, a UEMS e o Câmpus de Dourados da UFMS, e mesmo que a concretização da Universidade Federal da Grande Dourados não se realize no curto prazo, o projeto da Cidade Universitária de Dourados garante "a unificação do ensino público superior de Dourados, ou seja, o funcionamento em conjunto do Câmpus de Dourados da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul com a sede da UEMS" .
O Projeto da Cidade Universitária de Dourados foi apresentado oficialmente às forças vivas de Dourados no dia 2 de julho de 1998, no anfiteatro da UEMS, após a reitora da Universidade Estadual profa. Leocádia Aglaé Petry Lemes e o prof. Wilson Valentim Biasotto, diretor do CEUD, tê-lo apresentado à dezenas de entidades, prefeito, vereadores, deputados, meios de comunicação, enfim àqueles que poderiam influenciar nos destinos deste grande empreendimento.
Nesse dia estiveram representadas no ato 71 entidades e, dessas forças, organizou-se uma comissão executiva pró-implantação da Cidade Universitária de Dourados.
Em 26 de janeiro de 1999, o governador Zeca do PT, a menos de um mês de sua posse, instalou o governo itinerante em Dourados e, na oportunidade, recebeu em audiência a Comissão pró Cidade Universitária. Foi nesse dia memorável que o governador abraçou com alma o Projeto e que o Reitor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Jorge João Chacha, atendendo aos anseios da sociedade douradense, prometeu que implantaria o Curso de Medicina em Dourados.
A partir dessa data iniciou-se uma corrida contra o tempo. Se a montagem do projeto não foi obra fácil e dependeu muitíssimo da vontade política da comissão organizada para tal fim e dos técnicos da Universidade; foi também muito difícil sua aprovação pelos órgãos colegiados superioires da UFMS.
Muitas foram as barreiras, inerentes à implantação de um curso de medicina, que se interpuseram ao longo da caminhada. No entanto, o apoio da sociedade douradense, dos órgãos de imprensa, do governo do estado, dos reitores das universidades estadual e federal; o apoio da presidente da Associação Brasileira de Escolas Médicas, da Associação Médica da Grande Dourados e dos políticos locais e estaduais foi suficientemente forte para vencer a cada um dos obstáculos.
Após um ano de muito trabalho e de um surpreendente envolvimento coletivo, culminância de um longo processo, em 29 de fevereiro, 1, 2 e 3 de março de 2000. pôde-se realizar o primeiro vestibular para a Medicina de Dourados, com 47 inscritos para cada vaga.
A história do curso de Medicina de Dourados apenas começa. Não se sabe quem um dia a escreverá, mas, com certeza, sabe-se quem está fazendo essa história.