Wilson Valentim Biasotto *
10-set-96
Alguns a chamam também de Estação de Transbordo, pelo fato de ter sido construída para esse fim. Particularmente, apesar de me considerar pessoa relativamente bem informada, desconheço os motivos e a relevância de sua construção. Imagino que tenha sido construída para facilitar a vida dos usuários, na sua grande maioria trabalhadores e estudantes, que não dispõe de outro meio de transporte.
Entretanto, além de transbordos, sei que tem causado muitos transtornos, razão pela qual já está rebatizada com esse nome pela voz do povo. Muitas pessoas, mesmo estando dentro da Estação não tem obtido informações satisfatórias e a confusão é tamanha que, estando dentro do ônibus em movimento, um usuário desnorteado quis confirmar se havia tomado o rumo certo, mas enquanto o cobrador informava que sim o motorista dizia que não. Coisa absurda.
Eu particularmente, que nem usuário sou, já estou desconfortavelmente atingido por essa Estação de Transtornos. Em primeiro lugar porque transito de carro pela Teixeira Alves, uma avenida que é preferencial desde quando era ainda uma simples picada. Não mais que de repente mudaram, para facilitar, creio eu, a circulação dos ônibus. Esqueceram-se entretanto de que o costume de se passar por uma preferencial não é mudado pura e simplesmente por uma sinalização, ainda que bem feita. Não é à toa que já se verificou ali até mesmo um acidente fatal. Pior que você pára para a passagem dos ônibus e, entretanto, o mais difícil é ver um ônibus passar.
A outra questão que me tem causado transtornos refere-se ao atraso de meus alunos. Quando tenho as primeiras aulas chegam atrasados, quando tenho as últimas saem mais cedo. Alegam transtornos na Estação de Transbordo para chegar e falta de horários para partir. Dizem que já fizeram abaixo-assinados, protestos e mais não sei que. Chegam a me afirmar que os responsáveis alegam que a linha que serve ao CEUD e à SOCIGRAN é deficitária e portanto nada podem fazer. Posso confiar?
Desconfio que seja coisa de aluno gazeteiro, desses que trabalham apenas oito horas por dia e, como não têm nada a fazer em casa, tomam um banho apressado, engolem o jantar, para depois irem flanar na Universidade. Que outra alternativa poderia, afinal, passar pela minha cabeça? Que a prefeitura, enquanto concessionária, não tem fiscalização sobre as linhas de ônibus? Que permite esses abusos? Que não tem interesse em que os seus munícipes freqüentem uma Universidade?
O assunto merece mais que uma resposta, merece uma solução.
* O autor é Doutor em História Social pela USP e professor no CEUD/UFMS