Wilson Valentim Biasotto *
(30 de julho e 2-ago-96)
Os jornais independentes em época de eleições costumam pautar seu noticiário com extremo rigor. Seus conselhos editoriais têm o máximo cuidado na divulgação de suas manchetes, seus editais são escritos por jornalistas de diversas tendências, o espaço ocupado pelas notícias é milimetricamente dividido entre os diversos partidos. Ombusdman criticam duramente quando as notícias divulgadas são tendenciosas ou quando um partido ou candidato é contemplado com mais espaço que outro.
Não sou ombusdman de nenhum jornal e nem tenho tempo e paciência para acompanhar com detalhes esses procedimentos, todavia nem é necessário, basta corrermos os olhos pelas páginas de “O Progresso” para verificarmos que está noticiando as realizações de todos os partidos que concorrem à cargos eletivos neste ano de 1996.
Por essa razão, “O Progresso”, está merecendo comentários elogiosos da parte de seus leitores. Nada mais justo. Ao publicar crônicas das mais diversas tendências, concedendo direito de resposta a políticos ou escritores e, agora, nesses meses que antecedem às eleições municipais, dedicando espaço idêntico a todos os partidos que postulam vagas em cargos públicos, “O Progresso” demonstra, acima de tudo, maturidade.
É o caminho. A imprensa falada, escrita e televisada deve ser livre e “O Progresso”, na medida em que abre espaço para noticiar as propostas e agendas de cada partido, está contribuindo para a consolidação da democracia em nosso país. E a democracia, com todas as suas limitações, imperfeições e deturpações continua sendo, inegavelmente, o melhor sistema de governo que o ser humano já inventou.
Mas não sejamos ingênuos a ponto de imaginarmos que esse caminho é fácil. As pressões (nota posterior: o jornal foi obrigado por Lei. Ainda bem que não acabei e muito menos publiquei essa crônica.
*O autor é doutor em História Social
pela USP e professor do CEUD/UFMS