CEUD/UFMS: 25 anos (Tópicos de sua história VIII: o curso de Pedagogia)
Wilson Valentim Biasotto*
15-dez-96
O curso de Pedagogia do CEUD/UFMS foi implantado em 1979. Começou a funcionar como extensão do curso existente em Corumbá (porque nessa época o governo federal proibira a abertura de cursos de nível superior em escolas públicas) mas logo obteve o seu reconhecimento e hoje, plenamente consolidado, oferece habilitações em Supervisão Escolar e em Pré Escola e Séries Iniciais. Em nível de pós-graduação inicia no ano que vem um curso de Especialização em Alfabetização.
Desejamos dirigir o nosso enfoque referente ao curso de Pedagogia em duas considerações. Primeira: ao contrário de alguns outros cursos implantados no CEUD, o de Pedagogia não teve participação efetiva de quaisquer segmentos organizados da sociedade douradense. Segunda: embora esteja sendo ministrado por profissionais altamente capacitados é o curso que apresenta o mais elevado índice de evasão em relação aos demais cursos do CEUD..
Esses dados levam-nos a inferir que não existe, de um modo geral, de parte da sociedade douradense, em particular, e brasileira como um todo, consciência da fundamental importância que tem o ensino das séries iniciais para a formação do cidadão. É um ledo engano pensar que quem forma o bom médico, o bom engenheiro, o bom agrônomo, enfim, o bom profissional, é única e exclusivamente a Universidade. As séries iniciais de nossos estudos são tão importantes que países altamente desenvolvidos colocam nessas salas apenas entre dez a quinze alunos e remuneram muito bem aos seus docentes.
Não se poderá encontrar causas mais eficientes para provocar a evasão que a falta de perspectivas profissionais, representadas especialmente, no caso dos acadêmicos de Pedagogia, pela indigna remuneração dos professores e pela desvalorização profissional. Pouco terá adiantado o esforço dos professores pioneiros do Curso de Pedagogia (Generosa Cortes de Lucena, José Carlos Abrão, Jorge João Faccin, Kiyoshi Rachi, Shio Yoshikawa, Valdeir Justino e Zonir de Freitas Tetila) e pouco adiantará também o empenho do atual corpo docente, se a sociedade não obtiver junto aos governos municipais e estaduais, mudanças significativas nas suas respectivas políticas educacionais.
O autor é doutor em História Social
pela USP e professor do CEUD/UFMS