CEUD/UFMS: 25 anos (Tópicos de sua história VI: o curso de Agronomia [cont.])
Wilson Valentim Biasotto *
Não foram poucos os obstáculos colocados pela reitoria da Universidade para inviabilizar o curso de Agronomia em Dourados: primeiro alegava falta de estrutura física, depois a de laboratórios e, finalmente, a de professores. Na reunião decisiva, realizada no gabinete do prefeito de Dourados, José Elias Moreira, os próceres douradenses respondiam com a determinação de resolver todos os obstáculos colocados. Para pôr fim ao clima tenso gerado pela resistência do reitor e para sanar a dificuldade na contratação de professores, o governador Garcia Neto encerrou a reunião afirmando que professor ele “buscaria até na China se fosse preciso” e que anunciaria, como de fato fez, a criação do curso na cerimônia de colação de grau que paraninfaria logo mais à noite no Cine Ouro Verde.
Para o governador era o fim de uma missão. Para funcionários, alunos, professores e administração do CEUD/UFMS apenas o início de uma longa jornada de lutas, de idas e vindas a Campo Grande, em ônibus comercial, para pedir contratações, laboratórios, enfim, condições de funcionamento.
O Diretor do CEUD/UFMS, logo após a implantação do curso de Agronomia (1978), Lauro Chociai, precisaria num dia desses fazer uma matéria contando sobre as agruras que viveu. Não só ele, mas também os professores pioneiros Messias Faria Neto, Abramo Loro Neto, Ana Maria Sampaio Domingues, Walderes Wollf, José Joaquim, João Dimas Graciano e Edgard Jardim Rosa Junior, hoje diretor do Núcleo de Ciências Agrárias do CEUD/UFMS.
No que tange aos alunos pioneiros, estou certo de que farei uma grande injustiça não mencionando o nome daqueles que ajudaram na construção do curso de Agronomia, mas permitam-me citar apenas um, como referência, como símbolo de luta: Gomercindo Rodrigues. Esse moço, que mais tarde foi companheiro de Chico Mendes, iniciou-se na Agronomia do CEUD/UFMS, resistindo, lutando, moldando-se com o movimento dialético de sua própria luta.
Hoje o curso de Agronomia conta com uma boa estrutura, desenvolve inúmeras pesquisas e experimentos relevantes para a região, ministra um programa de Mestrado e prepara-se para a implantação de, pelo menos, três projetos importantes: a implantação do curso em nível de doutorado, a construção de um centro de extensão agrária e a implantação de um núcleo no assentamento de Novo Horizonte.
*O autor é doutor em História Social
pela USP e professor do CEUD/UFMS