Wilson Valentim Biasotto *
O Centro Universitário de Dourados foi criado em 1971 para abrigar o curso de Agronomia, mas começou a funcionar com os cursos de Letras e Estudos Sociais. Na verdade era para ser Letras, História e Geografia entretanto, sem maiores explicações, os dois últimos cursos mencionados não foram implantados e, em lugar deles, os alunos perceberam que estavam freqüentando o curso de Estudos Sociais, uma dessas malfadadas criações da didatura militar.
Não sei quem foi o responsável por isso, mas tenho certeza de que motivou a primeira manifestação de descontentamento dos nossos estudantes universitários. Diria que foi o primeiro movimento estudantil contestatório de terceiro grau na região, nascedouro de lideranças incontestáveis dentre as quais destaco Sultan Rasslan, Marina Evaristo Wenceslau, Irene Nogueira Rasslan e José Laerte Cecílio Tetila. Onze alunos, inclusive os mencionados, após constatarem que não conseguiriam reverter a situação, deixaram o curso de Estudos Sociais e foram estudar em Campo Grande. Outros conformaram-se e continuaram firmes até a conclusão.
De qualquer forma a luta não foi em vão. Em 1973 foi implantado o curso de História, embora sem a desativação do de Estudos Sociais, que continuou funcionando até o final dos anos 70. Atualmente o curso de História, além de licenciatura plena, oferece um curso de especialização em História do Brasil e trabalha com a hipótese de sediar o Mestrado em História do Brasil, já a partir do próximo ano.
O curso de Letras também não foi implantado de maneira satisfatória, em 1971, uma vez que começou a funcionar como licenciatura curta. A “chiadeira” foi grande, mas não chegou a provocar maiores problemas. Em 1973 passou a funcionar como licenciatura plena oferecendo habilitação em inglês e, a partir de 1988, começou a oferecer também habilitação em literatura. Plenamente consolidado, o mais antigo curso do CEUD/UFMS já está pronto para o seu próximo passo que será o oferecimento de habilitação em espanhol, provavelmente a partir de 1998, além de estar sendo trabalhada a hipótese de abertura de cursos de especialização.
*O autor é Doutor em História Social
pela USP e professor no CEUD/UFMS