Wilson Valentim Biasotto *
Paulo Renato, todos sabem, é o atual ministro da Educação. Alguns dias atrás ele reuniu amigos para um almoço comemorativo ao aniversário de um ano da cirurgia que lhe foi feita, por seu colega Jatene, para corrigir problemas cardíacos. Nada mais justo, quem tinha as coronárias entupidas e pôde substitui-las por pontes de safena só tem mesmo é que comemorar, afinal tal sucesso representa a vitória da vida sobre a morte. Cantemos à vida.
Outra vitória recente do ministro diz respeito ao fim da greve dos funcionários e professores das Universidades Federais. Fim da greve sem que ele, ministro, cedesse um milímetro, sem que atendesse a uma única reivindicação. O ministro jamais sentou-se à mesa de negociações e nem sequer recebe mais os reitores das Universidades brasileiras por se declararem favoráveis às reivindicações dos grevistas. Uma grande vitória, ao menos do ponto de vista governamental, afinal Paulo Renato continua firme em seu cargo, procurando implementar as reformas neoliberais pretendidas pelo governo FHC.
Por certo não teremos notícias sobre a comemoração dessa vitória do ministro. Não é de bom tom vilipendiar os derrotados. Mesmo porque os membros desse governo têm classe. Fosse na época do Collor as coisas seriam diferentes: a vitória seria gozada como num bacanal de bárbaros.
Mas não é o gozo da vitória que nos importa. O que queremos é avaliar a abrangência dessa vitória.
*O autor é doutor em História Social pela
USP e professor do CEUD/UFMS