Wilson Valentim Biasotto *
Na terça preparava-me para sair de casa, com uma crônica debaixo do braço (sobre debate político e democracia), com destino a redação deste jornal, quando li que haverá um debate nesta quinta, envolvendo os candidatos que disputam o governo de Mato Grosso do Sul. Confesso que é com muita satisfação que substituo as severas críticas que tecia a respeito da ausência de debates, por elogios, tanto aos candidatos como aos promotores do evento.
Os debates enriquecem a democracia e criam um clima de comprometimento entre os candidatos e os eleitores. Ganha a sociedade em seu conjunto, sem contar que o cidadão passa a ter parâmetros mais claros para decidir.
Mesmo que os candidatos tenham aceitado o debate público por não existir um favorito disparado nas pesquisas, devemos aplaudir a iniciativa. Por outro lado, é lamentável que em alguns estados, candidatos favoritos recusam-se a debater com os concorrentes as suas idéias de governo. E, ainda pior e lastimável, é que ao nível nacional, o candidato que se diz mais preparado para governar recusa-se a confrontar as suas idéias com as dos adversários.
Sem debates em nível nacional; com o instituto da reeleição e suas mazelas; com a grande mídia tomando o partido da continuidade ou, no mínimo, não cumprindo o seu papel de fazer um jornalismo investigativo; com boa parte do eleitorado desejando vender o voto e não faltando candidatos querendo compra-los; com o ministro do Supremo Tribunal Eleitoral fazendo declarações impróprias ao seu cargo, estava temendo que essas eleições brasileiras não contribuíssem em absolutamente nada para o aperfeiçoamento democrático.
Dentro desse quadro, o debate anunciado entre os candidatos ao governo de nosso estado dão-me certo alento. Ainda é pouco, é verdade, todavia os índices de audiência haverão de fazer com que a mídia envolva-se mais com o processo de redemocratização brasileiro iniciado em 85.
Significa dizer que os meios de comunicação, sem tomar o partido deste ou daquele candidato, deveriam contribuir de forma mais incisiva na construção da democracia, abrindo espaços para mais debates, envolvendo também candidatos ao senado, às Câmaras Federal e Estadual.
Jornais, rádios, emissoras de televisão, não descobriram ainda o quanto a sociedade lucraria com a ampliação dos debates ou estão a serviço de políticos incapazes e que por via de conseqüência fogem do debate?
*O autor é doutor em história social pela USP