Diz a nossa Carta Magna que “o poder emana do povo”. Pode ser, todavia penso que o poder procede também de alguns lugares e de algumas instituições. Da beira do fogão, da cama conjugal, de um microfone ou de uma folha de jornal também emana o poder. Curioso é que o poder, mesmo quando se manifesta em suas formas mais simples, pode ser exercido de maneiras diversas: refiro-me à ditadura da cozinheira que lhe serviu bife quando você queria, na verdade, omelete; falo daquela tia que não lhe deixou mexer em nada somente porque ela gastou algumas horas para por tudo no lugar.
Na administração pública talvez encontremos a forma mais complexa de se exercer o poder. Não deve ser tarefa fácil, aos governantes, encaixar todas as peças da intrincada máquina administrativa de forma a agradar a todos.
Uma dona de casa, à beira do fogão exerce com soberania seu poder, embora com suas limitações. De sua base estratégica vovó, por exemplo, comandava soberana: bife ou ovo frito; arroz, risoto ou macarrão; pudim de pão, doce de leite, cocada, doce de mamão ou de abóbora. Era ela a poderosa nutricionista da família. Tia Cida exercia outro tipo de poder. Aí dos meus tios se ousassem penetrar em seus domínios (a casa que ela limpara) com os sapatões embarreados!
Wilson Valentim Biasotto