Wilson Valentim Biasotto *
Dia 10, quinta-feira, às 19:30 horas, teremos, na Câmara Municipal de Dourados, a abertura da exposição de fotos de Sebastião Salgado. A partir do dia 11 e até o dia 17, além da Câmara Municipal, a Exposição será feita também no CEUD/UFMS. Na oportunidade estarão à venda 45 fotos em 56 x 75 cm, um livro com textos de Saramago e um CD de Chico Buarque com o tema Terra.
Dourados não é, entretanto, a única cidade a merecer tão especial deferência, as fotos de Sebastião Salgado, além de se encontrarem à disposição dos usuárias da Internet, estarão sendo expostas em outras 299 cidades em todo o mundo, concomitantemente.
Algumas das fotos de Sebastião Salgado enfocam o MST e são tão significativas que senti necessidade de escrever a minha crônica de hoje sobre esse Movimento que, ao meu ver, precisa ser melhor compreendido por amplos segmentos de nossa sociedade.
Todos os países desenvolvidos já realizaram, cada qual ao seu modo e em seu tempo, a sua Reforma Agrária. E, se por um lado não podemos atribuir o estágio de desenvolvimento desses países única e exclusivamente à Reforma, por outro não podemos considerar uma mera coincidência o fato de que onde houve Reforma Agrária houve desenvolvimento.
No Brasil, jamais tivemos uma Reforma Agrária, apenas arremedos. Mas em nossa região, onde foi feita uma boa experiência, os resultados foram satisfatórios. Que o digam os moradores de Glória de Dourados, Deodápolis, Fátima do Sul, Itaporã e Dourados, para ficarmos apenas na exemplificação de alguns dos municípios que se beneficiaram.
Hoje, provavelmente, com o avanço tecnológico, qualquer país possa prescindir de uma Reforma Agrária para entrar no clube dos desenvolvidos. A Reforma não é mais, em nossos dias, elemento indispensável para alavancar o progresso. Neste sentido é que acho o MST anacrônico. Teria sido mais útil à Reforma Agrária se as condições históricas tivessem favorecido o seu surgimento como precursor da Revolução de 30 ou em 43, só para tomarmos a data de implantação de nossa Colônia Agrícola.
Se no momento o MST está bem visível, não quer dizer que seja capaz de implantar a Reforma Agrária. Quisera que fosse, assim possibilitaria, ao menos, a abertura de novos empregos e traria de volta ao convívio social milhares de famílias. Não à toa, o MST foi premiado por contribuir para o desenvolvimento dos países do Hemisfério Sul, com 125 mil dólares, pela Fundação Rei Balduíno, de um país onde existe muito mais justiça social que por aqui: a Bélgica.
A pergunta que resta: se o MST está fora de época, o que dizer das vozes que se erguem contra ele?
O autor é doutor em História Social pela
USP e diretor do CEUD/UFMS